É das perguntas mais repetidas em qualquer grupo de brasileiros a pensar no Canadá, e circula com duas respostas erradas: a de quem garante que sim e a de quem diz que é impossível fazer seja o que for. Fomos ao próprio serviço de imigração canadiano ver o que está escrito. A resposta curta é não — mas a longa é bastante mais útil, porque explica exactamente onde está a linha.
A resposta curta
Não. Um visto de visitante — aquilo a que toda a gente chama visto de turista — não autoriza a trabalhar no Canadá. A formulação do próprio IRCC não deixa margem: a maioria dos estrangeiros precisa de uma autorização de trabalho para trabalhar no Canadá, e só alguns trabalhadores estão isentos.
A parte que interessa é a segunda metade da frase. A isenção existe — mas é atribuída pela atividade que se vai exercer, não pelo visto com que se entrou. É esta distinção que faz toda a diferença e é exactamente a que se perde nas conversas de grupo.
Por que a confusão é tão persistente
A ideia de «vou como turista e arranjo alguma coisa por lá» vive de duas observações verdadeiras que levam a uma conclusão falsa.
A primeira é que o Canadá precisa mesmo de mão de obra e diz isso em voz alta. A segunda é que há de facto pessoas a entrar como visitantes e a fazer atividades pagas sem terem autorização de trabalho — o que existe, tal como existe trabalho não declarado em qualquer país. Daí a conclusão errada: se há procura e há quem o faça, deve ser possível.
Não é. O que existe é uma lista fechada de situações em que a autorização é dispensada, e nenhuma delas é «encontrar emprego depois de chegar».
A isenção é pela profissão, não pelo visto
O IRCC publica a lista das ocupações que podem não precisar de autorização de trabalho. Vale a pena ler com atenção, porque o padrão é evidente assim que se vê tudo junto:
- Académicos e especialistas — examinadores e avaliadores, oradores, investigadores de curta duração, quadros altamente qualificados em missões curtas.
- Pessoas de negócios — visitantes de negócios, organizadores de convenções, oradores.
- Emergência e transportes — investigadores de acidentes de aviação, inspetores de aviação civil, tripulações, prestadores de serviços de emergência.
- Representação estrangeira e justiça — testemunhas e peritos, representantes de governos estrangeiros e diplomatas, seus familiares, militares.
- Desporto, comunicação social e artes — atletas e treinadores, juízes e árbitros, equipas de publicidade, repórteres e equipas de filmagem, artistas em atuações de curta duração.
- Estudantes — estudantes da área da saúde em períodos curtos, recém-licenciados por instituição canadiana designada que já pediram autorização de trabalho, e titulares de autorização de estudo a tempo inteiro, dentro e fora do campus.
- Trabalho religioso — líderes religiosos.
Repare no que estas situações têm em comum: são atividades específicas, quase sempre curtas, ligadas a uma entidade ou a um evento, e na esmagadora maioria dos casos com a fonte de rendimento a ficar fora do Canadá. Não há aqui nenhuma porta para trabalho corrente.

«Business visitor»: o que é mesmo, e as quatro condições
Esta é a categoria que mais gera esperança e mais gera problemas, porque o nome parece abranger qualquer pessoa que vá ao Canadá tratar de negócios. Não abrange.
Para se qualificar como visitante de negócios, o IRCC exige que a pessoa demonstre as quatro coisas ao mesmo tempo:
- que pretende ficar menos de seis meses;
- que não pretende entrar no mercado de trabalho canadiano;
- que o seu centro de atividade e a fonte do seu rendimento e lucros ficam fora do Canadá;
- que tem documentos que sustentam o pedido, além de cumprir os requisitos gerais de entrada — documento de viagem válido, dinheiro suficiente para a estada e para regressar, intenção de sair no fim da visita e não representar risco criminal, de segurança ou de saúde pública.
A terceira condição é a que resolve quase todas as dúvidas. Se quem passa a pagar é uma empresa canadiana, deixou de ser visita de negócios. Não interessa o nome que se dê ao acordo nem se o pagamento cai numa conta no país de origem: o critério é onde está a fonte do rendimento.
O que se pode fazer como visitante de negócios
A lista é concreta e ajuda a perceber o espírito da coisa:
- comprar bens ou serviços canadianos em nome de uma empresa ou governo estrangeiro;
- recolher encomendas de bens ou serviços;
- participar em reuniões, conferências, convenções ou feiras;
- prestar assistência pós-venda ao abrigo de uma garantia ou de um contrato de venda;
- receber formação de uma empresa-mãe canadiana para a qual se trabalha fora do Canadá;
- dar formação a trabalhadores de uma filial canadiana de uma empresa estrangeira;
- receber formação de uma empresa canadiana que lhe vendeu equipamento ou serviços.
Há ainda um regime próprio ao abrigo do acordo entre o Canadá, os Estados Unidos e o México, que permite a nacionais americanos e mexicanos atividades adicionais como investigação, marketing e serviços gerais. Não se aplica a quem tem apenas passaporte brasileiro ou português.
O que não se pode fazer, por mais inofensivo que pareça
Tudo o que signifique entrar no mercado de trabalho canadiano fica de fora, e isso inclui situações que as pessoas não reconhecem como trabalho: aceitar turnos num restaurante enquanto se procura algo melhor, fazer obras ou limpezas pagas por um particular, conduzir para uma plataforma de entregas, cuidar de crianças a troco de alojamento e dinheiro. A pergunta a fazer não é «é muito ou é pouco», é quem paga e a partir de onde.
E há a regra dos seis meses: quem pretende ficar mais do que isso, ou trabalhar, passa a ser considerado trabalhador temporário e tem de pedir autorização de trabalho. Não existe conversão automática por se ter recebido uma proposta depois de chegar.
Mesmo isento, ainda precisa de autorização para entrar
É o passo que quase toda a gente salta. O próprio IRCC avisa: mesmo quem não precisa de autorização de trabalho continua, na maioria dos casos, a precisar de visto de visitante ou de uma autorização eletrónica de viagem para entrar no Canadá. São dois documentos com funções diferentes — um autoriza a entrar, o outro autoriza a trabalhar — e ter um nunca dispensou o outro.

O que está em jogo para quem arrisca
Trabalhar sem autorização é incumprimento das condições de estada. As consequências não se esgotam no momento: além do risco de ter de sair do país, fica um registo que pesa em todos os pedidos seguintes — autorização de trabalho, autorização de estudo, residência permanente, e até um simples visto de visitante para férias daí a anos.
É por isso que a resposta honesta a esta pergunta interessa mais do que parece. Quem entra por esse caminho não está a ganhar tempo: está a hipotecar o processo legal que, mais tarde, vai querer fazer.

O caminho legal, por ordem
Se o objetivo é trabalhar no Canadá, a sequência que funciona é esta, e começa antes de comprar bilhete:
- Identificar a via. Autorização de trabalho ligada a um empregador, autorização aberta, via de estudo com trabalho durante o curso, ou residência permanente. Cada uma tem requisitos próprios e o que mudou entre 2024 e 2026 está aqui.
- Verificar se a profissão pede reconhecimento ou licença provincial, o que muda completamente o calendário.
- Reunir os documentos lentos primeiro — registo criminal, certidões, diplomas. É a fase que mais atrasa processos e a que se começa sempre tarde demais.
- Fazer a conta com a família toda, se for o caso: o dinheiro exigido sobe por pessoa e o Canadá conta até quem fica no Brasil.
- Só depois tratar da viagem. O checklist por fases serve para não saltar nenhum passo.
Trabalhar no Canadá legalmente: as duas autorizações

Arrumada a questão do visto de turista, fica a pergunta a sério: como é que se trabalha lá dentro da lei? O sistema canadiano tem duas autorizações, e a diferença entre elas muda tudo.
- Autorização ligada a um empregador — employer-specific work permit. Nas palavras do IRCC, «job offer required»: só existe com uma oferta de emprego concreta, de uma empresa concreta, e só serve para essa empresa;
- Autorização aberta — open work permit. «Job offer not required»: não está presa a nenhum empregador. É a que vem, por exemplo, depois de um curso elegível, ou para cônjuges de certos trabalhadores e estudantes.
Para a primeira, a parte difícil não é sua, é do empregador — e é por isso que tanta candidatura morre sem resposta. Na maioria dos casos, a empresa canadiana tem de obter um Labour Market Impact Assessment (LMIA), uma avaliação do impacto no mercado de trabalho, antes de o poder contratar. O pedido faz-se no sistema LMIA Online, e exige que a empresa tenha conta no Job Bank.
O próprio governo organiza esses pedidos por categorias, e saber em qual encaixa poupa tempo: salários altos, salários baixos, agricultura primária, Global Talent Stream (para perfis muito qualificados), cuidadores, académicos, Quebec e o Recognized Employer Pilot.
Traduzindo em prático: uma empresa pequena que nunca contratou estrangeiros raramente vai querer começar por si. As que contratam já conhecem o processo, já têm conta no Job Bank e já sabem o que é um LMIA. É por aí que se procura.
E a resposta directa a brasileiro pode trabalhar no Canada, quero ir trabalhar no Canada e como funciona para trabalhar no Canada é esta: pode, com uma das duas autorizações acima — nunca sem nenhuma.
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Trabalhar no Canadá: vagas e recrutamento

Há um sítio oficial para procurar, e é gratuito: o Job Bank. É o serviço nacional de emprego do Canadá, operado pelo Employment and Social Development Canada em nome da Canada Employment Insurance Commission, em conjunto com os governos provinciais e territoriais.
O que dá para fazer lá:
- Procurar vagas dos setores público e privado, com alertas por email e correspondência automática de perfis;
- Construir um currículo no formato que os empregadores canadianos esperam, antes de se candidatar;
- Ver informação de mercado — perspetivas por ocupação e por região, e comparação de salários;
- Explorar ocupações por área de estudo e por questionário de perfil.
E há um detalhe que liga as duas pontas: é no Job Bank que as empresas anunciam, e é com uma conta de Job Bank que elas submetem o LMIA. Anunciar é gratuito para o empregador. Por isso, uma vaga que aparece lá é, no mínimo, de uma empresa que já está dentro do sistema.
Recrutamento para trabalhar no Canadá: o aviso que poupa dinheiro
Quem procura recrutamento para trabalhar no Canadá vai encontrar muita gente a vender o que não pode vender. Três regras, e nenhuma tem exceção:
- Uma oferta de emprego legítima não se compra. Vender emprego é crime, e o «contrato» comprado não passa na verificação da segurança social canadiana;
- Nenhum intermediário garante visto. A decisão é do governo e ninguém a pode prometer;
- Recrutador a sério não cobra ao candidato. Quem paga o recrutamento é a empresa.
Sobre melhor lugar para trabalhar no Canadá, a resposta honesta é que depende da província, porque é a província que define salário mínimo, programa de imigração próprio e reconhecimento de profissões. As que têm menos procura costumam pedir pontuação mais baixa — e isso vale mais do que o nome da cidade.
Quanto ganha quem trabalha no Canadá
Não há um número nacional, e quem lhe der um está a inventar: o salário mínimo no Canadá é definido por província e território, e varia bastante entre eles. O governo publica uma ferramenta oficial com os valores em vigor, atualizada a cada alteração.
Os valores por província, com as subidas já marcadas, estão na secção dos salários em morar no Canadá: vistos, custos e como imigrar. E para comparar salários por ocupação e por região — que é a conta que interessa a quem já tem profissão —, a ferramenta de comparação do Job Bank é a fonte certa.
Quem procura quanto ganha trabalhar no Canadá deve guardar duas ideias. Primeira: o salário mínimo é o chão, não a referência — profissões qualificadas pagam muito acima dele. Segunda: um salário alto numa cidade cara pode valer menos do que um salário médio numa cidade do interior.
Trabalhar no Canadá como enfermeiro

É a profissão mais procurada deste tema, e tem um caminho próprio que não se pode saltar. Enfermagem é profissão regulada no Canadá, e quem se formou fora passa por um processo de avaliação antes de poder exercer.
O primeiro passo chama-se NNAS — National Nursing Assessment Service, que o próprio serviço descreve como «o primeiro passo para se tornar enfermeiro no Canadá». O que o NNAS faz é verificar e partilhar a informação sobre a sua formação e experiência para que os reguladores possam decidir.
E aqui está o ponto que mais gente confunde: o NNAS não emite licença nenhuma. Quem decide o licenciamento são os regulatory partners — os reguladores. A licença para exercer é provincial, não nacional: autoriza a trabalhar naquela província.
O percurso, em ordem:
- Verificar a elegibilidade e conhecer o processo e os prazos;
- Escolher o caminho — há um Expedited Service que avalia as duas profissões, RN (enfermeiro registado) e LPN (enfermeiro prático licenciado), em conjunto e por um preço único, e um percurso próprio para Registered Psychiatric Nurse;
- Criar conta e submeter a candidatura no portal do NNAS;
- Reunir os documentos exigidos, que vêm da instituição de ensino e dos empregadores anteriores;
- Pedir a licença ao regulador da província onde quer trabalhar.
Técnico de enfermagem: a tradução que não existe
Esta merece atenção, porque é a mesma armadilha que existe em Portugal. Quem procura como trabalhar no Canada como tecnico de enfermagem deve saber que o sistema canadiano não tem um equivalente direto do técnico de enfermagem brasileiro.
O que existe é a figura do LPN, o enfermeiro prático licenciado, que é uma categoria própria com formação e licenciamento próprios — e que o NNAS avalia em conjunto com a de enfermeiro registado no serviço acelerado. Não é uma equivalência automática do diploma brasileiro: é uma avaliação, com resultado incerto.
Vale ainda a nota para quem procura como imigrar para o Canada como enfermeira: o reconhecimento e a imigração são processos separados e correm em paralelo. Ter licença não dá residência, e ter residência não dá licença.
Se o seu caso é a enfermagem na Europa, as regras são outras e estão em enfermagem em Portugal: salário e Ordem.
Outras profissões: motorista, Uber, fazenda e TI
Quatro blocos de procura, quatro respostas diferentes — e uma delas vai desiludir muita gente.
Trabalhar de motorista no Canadá e trabalhar de Uber no Canadá
A ordem é sempre a mesma e não se inverte: primeiro a autorização para trabalhar, depois a licença para conduzir profissionalmente.
Sem autorização de trabalho válida não há aplicação de transporte que o aceite, porque a plataforma é obrigada a verificar a elegibilidade. E, mesmo com autorização, a carta profissional e o licenciamento do transporte são provinciais e, no caso das plataformas, muitas vezes municipais — mudam de Toronto para Vancouver. Confirme as condições na província e na cidade concretas antes de contar com isso como plano.
Trabalhar em fazenda no Canadá
Aqui está a desilusão, e é melhor sabê-la já. O programa que toda a gente imagina quando pensa em trabalho agrícola sazonal no Canadá é o Seasonal Agricultural Worker Program (SAWP) — e o Brasil não participa nele.
A lista oficial de países participantes tem doze: México, Anguilla, Antígua e Barbuda, Barbados, Dominica, Granada, Jamaica, Monserrate, São Cristóvão e Neves, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, e Trindade e Tobago. Como o programa se aplica apenas a cidadãos desses países, um trabalhador brasileiro não é elegível.
O que resta para o setor agrícola é a via geral do Programa de Trabalhadores Estrangeiros Temporários, com a categoria de agricultura primária no LMIA — o que significa, de novo, um empregador disposto a fazer o processo.
Trabalhar no Canadá em TI
É das áreas com caminho mais curto, e tem categoria própria: o Global Talent Stream, uma das categorias de LMIA criadas precisamente para perfis muito qualificados e difíceis de encontrar. Quem procura trabalhar no Canada ti deve, por isso, procurar empresas que já usem esse canal — o esforço do lado do empregador é menor, e isso muda a disposição para contratar.
Médico, engenheiro, fisioterapeuta e as outras
Vale a pena ter a regra antes das profissões, porque poupa meses: se a profissão é regulada, o reconhecimento vem antes do emprego; se não é, o emprego vem antes de tudo. E quem regula, no Canadá, é quase sempre a província.
Caso a caso, com o que importa saber:
- Médico — profissão regulada, com colégio provincial próprio, e das mais exigentes em reconhecimento. Em contrapartida, existe um programa federal de residência permanente dedicado a médicos, na lista oficial das vias de imigração. Quem procura trabalhar como medico no Canada ou medico brasileiro trabalhar no Canada deve tratar das duas frentes em paralelo, não em série;
- Engenheiro — regulada, com ordem provincial. Quem procura como trabalhar no Canada como engenheiro começa pela associação da província, que avalia a formação;
- Fisioterapeuta e nutricionista — também reguladas, também provinciais. Quem procura trabalhar como fisioterapeuta no Canada ou trabalhar como nutricionista no Canada tem o mesmo percurso da enfermagem: avaliação primeiro, licença provincial depois;
- Arquiteto — regulada. Quem procura trabalhar como arquiteto no Canada precisa de reconhecimento antes de assinar projeto;
- Construção civil — na maioria dos casos não é regulada ao nível da entrada, embora certos ofícios tenham certificação própria. Quem procura trabalhar na construção civil no Canada tem, por isso, um caminho mais direto: encontrar o empregador disposto a fazer o processo;
- Caminhoneiro — exige carta profissional provincial, e vale o mesmo que se disse dos motoristas. Quem procura trabalhar de caminhoneiro no Canada deve confirmar a categoria de carta na província de destino;
- Agricultura — quem procura trabalhar agricultura no Canadá cai no que se explicou acima: sem o programa sazonal, resta a via geral com LMIA de agricultura primária;
- Babá e cuidadores — aqui há boa notícia: «cuidadores» é uma das categorias próprias de LMIA e existe um programa federal de residência permanente para trabalhadores de cuidados domiciliários, na lista oficial das vias de imigração. Quem procura trabalhar de baba no Canada tem, por isso, um dos caminhos mais curtos entre trabalho e residência;
- Advogado — regulada, e das mais difíceis de todas, por uma razão que não é burocrática: o direito canadiano é outro sistema. Quem procura trabalhar como advogado no Canada vai precisar de exames de equivalência e, na prática, de voltar a estudar;
- Dentista — regulada, com regulador provincial e exames próprios. Quem procura trabalhar como dentista no Canada segue o mesmo percurso da medicina, com avaliação antes de exercer;
- Trabalho embarcado — quem procura trabalhar embarcado no Canada deve saber que o regime marítimo tem regras próprias, distintas das do trabalho em terra, e deve confirmá-las antes de contar com elas.
Terapia ocupacional e outras profissões reguladas
Terapia ocupacional, tal como a enfermagem, é profissão regulada, com regulador provincial. Quem procura terapia ocupacional para trabalhar no Canada deve começar pelo regulador da província de destino, e não pela procura de emprego: sem reconhecimento não há contratação legal, por melhor que seja o currículo.
Quem procura melhores profissoes para trabalhar no Canada ou melhores profissoes para imigrar para o Canada costuma esperar uma lista mágica. Não existe — mas existe um critério: as profissões que resolvem melhor são as que juntam procura real no mercado com reconhecimento mais simples. Saúde e ofícios técnicos estão nesse cruzamento; direito está no extremo oposto.
Quem procura no que trabalhar no Canada, onde trabalhar no Canada ou oportunidade para trabalhar no Canada deve inverter a pergunta: não é o que o Canadá precisa, é o que a sua profissão exige para ser exercida lá. A resposta a essa muda o plano todo.
Trabalhar no Canadá sem inglês e em home office
Dois casos que se procuram muito e que têm respostas curtas.
Trabalhar no Canadá sem inglês
Existe, mas é mais caro e mais lento. Há trabalho em que o idioma pesa menos — construção, limpeza, agricultura, linhas de produção —, mas quase todas as vias de autorização e de residência exigem teste oficial de idioma, e no sistema de pontos o idioma é dos fatores que mais pontuam.
Quem procura trabalhar no Canada sem ingles tem duas saídas honestas: estudar o idioma antes, contando meses e não semanas, ou olhar para o Quebec, onde o francês substitui o inglês.
Trabalhar ilegal no Canadá: o que acontece
É a pergunta que ninguém escreve mas muita gente faz. Quem procura trabalhar ilegal no Canada deve pesar três consequências concretas, que estão explicadas em detalhe mais acima nesta página: a entrada pode ser recusada na fronteira, o pedido seguinte de visto fica marcado, e há proibição de entrada por períodos longos. O emprego acaba; o registo fica.
Trabalhar no Canadá em home office e remoto
Aqui há uma distinção que muda tudo, e quase ninguém a faz:
- Trabalhar à distância a partir do Brasil, para uma empresa canadiana — isto não precisa de autorização de trabalho canadiana nenhuma, porque não está a trabalhar no Canadá. É um contrato internacional, e as obrigações fiscais são no Brasil;
- Estar fisicamente no Canadá a trabalhar à distância — isto já é trabalhar no Canadá, e precisa de estatuto que o permita, seja autorização de trabalho, autorização aberta ou residência.
Quem procura trabalhar no Canada home office ou trabalhar remoto no Canada quase sempre quer a primeira hipótese e descobre tarde que estava a pensar na segunda. A localização física é que decide, não a do empregador.
Quantas horas pode trabalhar no Canadá
Para quem está com autorização de estudo, o limite fora do campus durante o período letivo é de 24 horas por semana, sem limite nas férias marcadas pela instituição. Mas atenção: esta é das regras que mais mudou nos últimos anos — foram 20 horas, depois sem limite durante a pandemia, depois 24. Confirme sempre antes de contar com ela. O detalhe está no guia do estudo e do PGWP.
Trabalhar no Quebec
O Quebec merece parágrafo próprio porque tem sistema de imigração próprio, acordado com o governo federal, e uma categoria de LMIA só dele.
Duas consequências práticas para quem procura trabalhar no Canada quebec:
- O francês substitui o inglês como idioma exigido, e isso abre a porta a quem fala francês e a fecha a quem conta só com o inglês;
- A seleção é feita pelo Quebec antes de o processo federal continuar, o que significa critérios e prazos diferentes do resto do país.
Para o brasileiro que já fala espanhol ou que tem facilidade com línguas latinas, o francês costuma ser um caminho mais curto do que o inglês — e é das decisões mais subestimadas deste tema.
As mesmas perguntas, escritas de outras formas
Para fechar, e porque a dúvida é sempre a mesma com palavras diferentes: posso trabalhar no Canadá com visto de turista, posso trabalhar no Canada com visto de turista, pode trabalhar no Canada com visto de turista, trabalhar no Canada com visto de turista — a resposta está no topo desta página e é não, com as exceções de profissão que lá estão explicadas.
E são todas a mesma dúvida, escrita de maneiras diferentes: precisa de visto para trabalhar no Canada, para trabalhar no Canada precisa de visto, trabalhar no Canada visto, visto canada para trabalho, visto de trabalho lmia canada, autorização para trabalhar no Canada, requisitos para trabalhar no Canadá, ir trabalhar no Canadá, quero morar e trabalhar no Canada, trabalhar no Canada 2025 e site para trabalhar no Canada. Precisa sempre de autorização, o LMIA é a peça do empregador, e o sítio oficial para procurar é o Job Bank.
Duas notas finais. Agência para trabalhar no Canada: não é obrigatória, e a que cobra ao candidato não é de confiança. Estudar e trabalhar no Canada, estudar e trabalhar no Canadá preço e intercambio para trabalhar no Canada são outro caminho, com regras próprias de horas e de custos — está tratado em morar no Canadá: vistos, custos e como imigrar.
E há quem procure pelo nome de quem conta a experiência, como jacaré trabalhar no Canada. Vale a pena ouvir relatos, com um cuidado: um relato descreve um caso num ano concreto, e as regras canadianas mudaram várias vezes desde 2024. Use os relatos para o ambiente; use as páginas oficiais, ligadas no fim, para as regras.
Verificado a 19 de setembro de 2026
As regras acima foram confirmadas nesta data nas páginas oficiais do IRCC indicadas nas fontes. Em imigração canadiana as condições mudam com frequência — os limites de horas para estudantes e o acesso do cônjuge a autorização de trabalho mudaram duas vezes entre 2024 e 2026. Confirme sempre na fonte antes de decidir.
Perguntas frequentes
Dá para trabalhar no Canadá com visto de turista?
Não. O IRCC é explícito: a maioria dos estrangeiros precisa de autorização de trabalho. Existem isenções, mas dependem da profissão exercida, não do visto com que se entrou.
Posso entrar como turista e pedir a autorização de trabalho já no Canadá?
O pedido a partir de dentro do país só está previsto em situações específicas. A regra geral continua a ser pedir a autorização antes de viajar, e uma oferta de emprego não converte automaticamente um visto de turista.
O que é um business visitor?
É quem entra para reuniões, conferências ou feiras por menos de seis meses, sem entrar no mercado de trabalho canadiano e mantendo fora do Canadá o seu centro de atividade e a fonte do seu rendimento.
Um business visitor pode receber de uma empresa canadiana?
Não, se isso significar que a sua fonte de rendimento passa a ser canadiana. É precisamente esse o critério que o IRCC usa para separar a visita de negócios do trabalho.
Se a minha profissão está na lista de isentos, já não preciso de mais nada?
Precisa. Mesmo isento de autorização de trabalho, é quase sempre necessário visto de visitante ou uma autorização eletrónica de viagem para entrar no país.
E quem tem autorização de estudo, pode trabalhar?
É outro regime. Quem tem autorização de estudo em tempo integral pode trabalhar dentro e fora do campus dentro dos limites previstos, que mudaram nos últimos anos.
Qual a diferença entre autorização de trabalho aberta e específica?
A específica está ligada a um empregador e exige uma oferta de emprego concreta; só serve para essa empresa. A aberta não exige oferta de emprego e não está presa a nenhum empregador. São as próprias palavras do IRCC: job offer required para uma, job offer not required para a outra.
O que é o LMIA?
É o Labour Market Impact Assessment, a avaliação do impacto no mercado de trabalho que a empresa canadiana tem de obter, na maioria dos casos, antes de poder contratar um estrangeiro. O pedido é do empregador, faz-se no LMIA Online e exige que a empresa tenha conta no Job Bank.
Onde se procuram vagas oficiais no Canadá?
No Job Bank, o serviço nacional de emprego operado pelo Employment and Social Development Canada com os governos provinciais e territoriais. Tem procura de vagas, alertas por email, criação de currículo e comparação de salários, e os empregadores anunciam gratuitamente.
Brasileiro pode trabalhar em fazenda no Canadá pelo programa sazonal?
Não. O Seasonal Agricultural Worker Program só se aplica a cidadãos de doze países: México, Anguilla, Antígua e Barbuda, Barbados, Dominica, Granada, Jamaica, Monserrate, São Cristóvão e Neves, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, e Trindade e Tobago. O Brasil não consta da lista.
O que é preciso para trabalhar como enfermeiro no Canadá?
Passar pelo NNAS, que verifica e partilha a informação sobre a formação e a experiência, e depois pedir a licença ao regulador da província onde quer trabalhar. O NNAS não emite licença: quem decide o licenciamento são os reguladores, e a licença é provincial.
Dá para trabalhar em home office no Canadá?
Depende de onde está fisicamente. Trabalhar à distância a partir do Brasil para uma empresa canadiana não exige autorização canadiana. Estar no Canadá a trabalhar à distância já é trabalhar no Canadá e exige estatuto que o permita.
Quanto ganha quem trabalha no Canadá?
Não há um valor nacional: o salário mínimo é definido por província e território, e o governo publica uma ferramenta oficial com os valores em vigor. Para comparar por ocupação e por região, a ferramenta do Job Bank é a fonte indicada.
Fontes oficiais
- IRCC — Who can work in Canada without a work permit
- IRCC — Business visitors attending meetings, events and conferences in Canada
- Immigration, Refugees and Citizenship Canada
- IRCC — Autorizações de trabalho: a específica de empregador exige oferta de emprego, a aberta não
- ESDC — Contratar um trabalhador estrangeiro temporário — o pedido de LMIA faz-se no LMIA Online, que exige conta Job Bank, e as categorias de salários altos, salários baixos, agricultura primária, Global Talent Stream, cuidadores, académicos, Quebec e Recognized Employer Pilot
- ESDC — Seasonal Agricultural Worker Program — a lista dos doze países participantes, onde o Brasil não consta
- Job Bank — sobre o serviço — serviço nacional de emprego operado pelo ESDC, com procura de vagas, alertas, criação de currículo e comparação de salários
- NNAS — National Nursing Assessment Service — o primeiro passo para enfermeiros formados fora do Canadá; verifica e partilha a informação, e são os reguladores que decidem o licenciamento