
Escrever um ebook deixou de ser a parte difícil. Com as ferramentas de hoje, qualquer pessoa produz cinquenta páginas num fim de semana. O problema mudou de sítio: agora há ebooks a mais e leitores a menos, e a esmagadora maioria não vende nada.
Este texto trata do que decide o resultado — escolher o assunto certo, publicar nos sítios certos, e perceber a diferença entre as duas plataformas principais, que atendem públicos completamente diferentes.
Escolher o assunto: o critério que decide tudo
Quase todos os ebooks que não vendem falharam aqui, antes de a primeira linha ser escrita.
O erro típico é escolher um tema amplo — «produtividade», «emagrecimento», «marketing digital». São temas onde já existem centenas de livros, muitos deles de autores conhecidos, e onde ninguém tem motivo para escolher o seu.
O que funciona é o contrário: um problema específico de um grupo específico. Não «como estudar melhor», mas «como estudar para o exame de condução trabalhando por turnos». Não «como emagrecer», mas «como cozinhar para a semana inteira num domingo, morando sozinho».
O teste é simples: consegue imaginar a pessoa exata que vai comprar? Se conseguir descrevê-la numa frase — a idade, a situação, o problema que a incomoda esta semana — tem um assunto. Se não conseguir, o tema é demasiado largo.
O que você já sabe e não valoriza
A objeção mais comum é «não sou especialista em nada». Quase sempre é falsa.
Não precisa de ser a maior autoridade do mundo num tema. Precisa de saber mais do que a pessoa que vai ler, e de ter resolvido o problema dela pelo menos uma vez. Quem passou por um processo burocrático complicado, quem aprendeu um ofício, quem mudou de país, quem criou filhos numa situação difícil — todos têm conhecimento que alguém pagaria para não descobrir sozinho.
Uma pista útil: repare no que as pessoas lhe perguntam. Aquilo que lhe perguntam repetidamente é, por definição, uma coisa que você sabe e que os outros não.
Amazon ou Hotmart? São públicos diferentes
Esta é a decisão que mais confunde, e a resposta não é «qual é melhor» — é para que serve cada uma.
- Loja de livros da Amazon — o leitor já está lá à procura de livros. Há descoberta orgânica: alguém pesquisa um tema e encontra o seu sem você fazer nada. Em troca, o preço fica dentro das faixas do mercado de ebooks, que são baixas, e a plataforma fica com uma parte;
- Plataformas de infoprodutos, como a Hotmart — não há quase descoberta espontânea: é você que tem de levar as pessoas até lá. Em compensação, aceita preços mais altos, permite juntar bónus, vídeos e comunidade, e tem programa de afiliados — outras pessoas podem vender por si.
A regra prática: se o seu tema é procurado por pesquisa, a Amazon trabalha por si. Se o valor está no que só você sabe, a Hotmart paga melhor. E nada impede de estar nas duas, com versões diferentes.

Quanto deve ter — e não é muito
A obsessão com o número de páginas é outro erro caro. Um ebook de duzentas páginas que demora seis meses a escrever e nunca é lançado vale zero.
O que importa é resolver completamente o problema que prometeu resolver. Se isso couber em quarenta páginas, quarenta páginas chegam — e o leitor até agradece. Encher com teoria para atingir um número é a forma mais segura de receber más avaliações.
Um formato que funciona bem: um problema, o percurso para o resolver passo a passo, os erros comuns, e material prático no fim — listas, modelos, o que a pessoa possa usar no mesmo dia.
O preço e a primeira venda
Dois princípios que evitam as duas asneiras clássicas:
- Não ponha preço simbólico. Preço muito baixo não atrai mais compradores — comunica que não vale nada, e atrai quem nunca ia ler;
- Não espere que o preço alto se justifique sozinho. Se pede mais, tem de mostrar mais: amostra, índice detalhado, quem é você, o que a pessoa leva de concreto.
A primeira venda quase nunca vem de estranhos. Vem de quem já o conhece — e é por isso que faz sentido falar do assunto publicamente antes de o ebook estar pronto. Quem escreve em silêncio durante três meses lança para uma sala vazia.

O que fazer depois de publicar
Publicar é o meio do caminho, não o fim. O que acontece a seguir decide se vende dez ou mil:
- Peça avaliações às primeiras pessoas que leram. Sem avaliações, ninguém arrisca comprar de um autor desconhecido;
- Escreva sobre o tema regularmente, onde as pessoas o encontrem. Cada texto é uma porta de entrada nova;
- Corrija com o que ouvir. Um ebook digital pode ser atualizado — aproveite as dúvidas dos leitores para melhorar a versão seguinte;
- Considere afiliados, se estiver numa plataforma que os permita. Outras pessoas a vender por si é o que muda a escala.
Os erros que fazem um ebook não vender
- Tema largo demais, onde já há centenas de livros melhores;
- Escrever primeiro e pensar em quem compra depois;
- Encher páginas para parecer mais valioso;
- Capa feita à pressa — é a primeira e às vezes a única coisa que a pessoa vê;
- Preço simbólico, que comunica falta de valor;
- Lançar sem ninguém à espera;
- Publicar e desaparecer, sem nunca mais falar do assunto.
Nenhum destes erros é de escrita. São todos de posicionamento — e é por isso que escrever melhor não resolve um ebook que não vende.
Perguntas frequentes
Preciso de ser especialista para escrever um ebook?
Não. Precisa de saber mais do que a pessoa que vai ler e de ter resolvido aquele problema pelo menos uma vez. Uma pista útil: aquilo que as pessoas lhe perguntam repetidamente é, por definição, algo que você sabe e que os outros não.
Como escolher o assunto?
Um problema específico de um grupo específico, em vez de um tema amplo. O teste é conseguir descrever numa frase a pessoa exata que vai comprar — idade, situação e o problema que a incomoda esta semana. Se não conseguir, o tema está largo demais.
É melhor publicar na Amazon ou na Hotmart?
Servem para coisas diferentes. Na loja de livros da Amazon há descoberta orgânica — alguém pesquisa o tema e encontra o seu — mas os preços praticados são baixos. Nas plataformas de infoprodutos não há quase descoberta espontânea e é preciso levar as pessoas até lá, mas aceitam preços mais altos, permitem bónus e têm programa de afiliados.
Quantas páginas deve ter?
As que forem precisas para resolver completamente o problema que prometeu resolver. Se couberem quarenta, quarenta chegam. Encher com teoria para atingir um número é a forma mais segura de receber más avaliações.
Que preço devo pedir?
Evite preço simbólico: não atrai mais compradores, comunica que não vale nada e atrai quem nunca vai ler. Se pedir mais, mostre mais — amostra, índice detalhado, quem é você e o que a pessoa leva de concreto.
De onde vem a primeira venda?
Quase nunca de estranhos. Vem de quem já o conhece, e é por isso que faz sentido falar publicamente do assunto antes de o ebook estar pronto. Quem escreve em silêncio durante meses acaba a lançar para uma sala vazia.
O que fazer depois de publicar?
Pedir avaliações às primeiras pessoas que leram, escrever sobre o tema regularmente para criar portas de entrada, atualizar o ebook com as dúvidas dos leitores, e considerar um programa de afiliados se a plataforma permitir.
Por que a maioria dos ebooks não vende?
Por posicionamento, não por escrita. Tema largo demais, escrito antes de se pensar em quem compra, com páginas a mais, capa à pressa, preço simbólico e lançamento sem ninguém à espera. Escrever melhor não resolve nenhum desses problemas.
Do rascunho ao primeiro ebook vendido
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