Quanto ganha em Portugal: por hora, por dia e por mês

Há trabalho a sobrar em Portugal em algumas áreas e a faltar noutras — e a diferença entre as duas decide se você arranja emprego em duas semanas ou em seis meses.

Este texto não traz faixas de salário inventadas. Traz o piso legal, que é oficial, e a informação que vale mais do que qualquer tabela: quais destas profissões você pode exercer no dia em que chegar, e quais exigem papel antes.

Verificado a 17 de setembro de 2026.

trabalhos em portugal

Primeiro o chão: ninguém pode pagar menos do que isto

O salário mínimo em Portugal é de 920 € por mês desde 1 de janeiro de 2026, fixado pelo Decreto-Lei n.º 139/2025. Subiu de 870 € em 2025.

Guarde esse número, porque ele é a sua defesa. Qualquer oferta abaixo disso, a tempo inteiro, é ilegal — e circula muita tabela na internet, escrita antes da subida, que ainda fala em 820 ou 850 euros. Se alguém lhe oferecer isso, não é o mercado: é uma proposta fora da lei.

E há mais para contar: está acordado que o mínimo suba 50 € em cada um dos dois anos seguintes — para 970 € e depois 1.020 €. Quem está a planear deve fazer as contas com o valor do ano em que vai chegar.

Rua residencial portuguesa

Onde falta gente, na prática

As áreas que absorvem mais mão de obra imigrante em Portugal concentram-se em quatro frentes:

  • Construção civil — pedreiro, trolha, carpinteiro, pintor, eletricista, canalizador. É o setor com a falta mais reportada pelas empresas;
  • Cuidados a pessoas — cuidador de idosos, auxiliar de geriatria, apoio domiciliário. Cresce por razão demográfica e não vai parar;
  • Restauração e hotelaria — cozinha, sala, limpeza, receção, com pico sazonal no Algarve e em Lisboa;
  • Logística e limpeza — armazém, distribuição, limpeza industrial e doméstica.

Há ainda a tecnologia, que paga muito mais, mas que compete com o mundo inteiro e raramente é a porta de entrada de quem chega sem rede.

A pergunta que decide tudo: a sua profissão é regulamentada?

Esta é a informação que mais tempo poupa, e quase nenhum texto sobre «profissões em alta» a dá.

Em Portugal, algumas profissões são regulamentadas: só as pode exercer quem tiver o título reconhecido por uma autoridade competente. Medicina, enfermagem, engenharia, arquitetura, advocacia, educação e várias outras estão nessa lista. Para essas, chegar e começar a trabalhar não é opção — há um processo de reconhecimento pelo meio, que demora meses.

A lista oficial, com a autoridade responsável por cada uma, está publicada pela DGERT. É a primeira coisa a consultar, antes de comprar bilhete: define se tem meses de burocracia pela frente ou nenhum.

E a boa notícia

A maior parte das profissões desta lista de cima não é regulamentada. Pedreiro, carpinteiro, pintor, cuidador, cozinheiro, empregado de mesa, auxiliar de limpeza, motorista de mercadorias ligeiras — nenhuma exige carteira profissional para começar.

O mesmo vale para as profissões de beleza: cabeleireiro, barbeiro, manicuro e esteticista deixaram de exigir carteira profissional em 2011, e desde 2015 o próprio estabelecimento também não precisa de licenciamento prévio. Explicámos isso em detalhe em trabalhar como manicure em Portugal, e a base legal é a mesma para as outras.

Há exceções de segurança, e essas são reais: eletricista e canalizador podem precisar de certificação para certos trabalhos, e quem conduz profissionalmente precisa de carta adequada e, em vários casos, de certificado de aptidão. Confirme antes de prometer ao empregador que pode fazer tudo.

Casal a planear a mudanca no computador

A via oficial de quem ainda está fora

Portugal tem um caminho formal para empresas recrutarem no estrangeiro quando não encontram cá quem precisam, coordenado pelo IEFP, o serviço público de emprego.

Existem acordos de mobilidade laboral assinados entre o Estado português e países terceiros — entre eles Cabo Verde, Índia, Marrocos e Moçambique — em que o recrutamento é feito por esta via. Nesses casos, exige-se normalmente um contrato de pelo menos um ano, ou, em atividades sazonais, entre seis e nove meses.

Para quem é brasileiro, a porta habitual continua a ser outra — o visto de trabalho com contrato ou promessa de contrato. Os tipos, custos e prazos estão em visto de trabalho para Portugal.

Quanto ganha em Portugal por hora: a conta oficial

Quase ninguém faz esta conta certa, e ela não é opinião: está no artigo 271.º do Código do Trabalho, que fixa a fórmula do valor da retribuição horária.

A fórmula é (Rm × 12) : (52 × n), em que Rm é a retribuição mensal e n é o período normal de trabalho semanal.

Aplicada ao salário mínimo de 2026, com as 40 horas semanais habituais:

  • (920 × 12) = 11.040
  • (52 × 40) = 2.080
  • 11.040 ÷ 2.080 = 5,31 € por hora, bruto

Repare no que a fórmula não faz: não divide o mês por 30 nem por 22 dias. Divide o ano inteiro pelas semanas do ano. É por isso que as contas feitas «a olho» dão sempre valores diferentes — e é esta que vale num tribunal.

A mesma fórmula serve para qualquer salário. Quem ganhar 1.300 € às 40 horas tem 7,50 € à hora.

Quanto ganha em Portugal por dia

Aqui há uma coisa que convém saber antes de procurar: o valor diário não tem fórmula legal própria. Deriva do valor à hora, multiplicado pelas horas desse dia.

Com o mínimo de 2026 e um dia de oito horas: 5,31 × 8 = 42,46 € por dia, bruto.

Por isso, quem receber uma oferta «à diária» deve fazer o caminho ao contrário: dividir pelo número de horas e comparar com os 5,31 €. É assim que se descobre, em dez segundos, se uma proposta está abaixo da lei.

Salário em Portugal para brasileiros: o que sobra no fim

O bruto engana, e é o número que aparece nos anúncios. Para o mínimo de 2026:

  • Bruto: 920 € por mês.
  • Desconto para a Segurança Social: 11% a cargo do trabalhador, ou seja 101,20 €.
  • IRS: quem recebe o mínimo fica isento de retenção na fonte.
  • Líquido: cerca de 818,80 € por mês.

E há uma diferença face ao Brasil que muda a conta anual: em Portugal paga-se em 14 meses, somando subsídio de férias e subsídio de Natal. No mínimo de 2026 isso dá 12.880 € brutos por ano.

Quem compara salários entre os dois países pelo valor mensal está a comparar mal. Compare pelo ano, e com o custo de vida ao lado — é essa a conta que decide.

Trabalhar em Portugal de motorista

É das profissões mais procuradas por quem chega, e tem um caminho próprio que vale a pena conhecer antes de aceitar qualquer coisa.

A carta brasileira é aceite. Desde 1 de agosto de 2022, Portugal aceita títulos de condução de países da OCDE e da CPLP, onde o Brasil se inclui. Para conduzir como residente, porém, faz-se a troca da carta estrangeira.

O que a troca envolve:

  • Ser residente em Portugal.
  • Pedido exclusivamente em linha. Desde 21 de janeiro de 2026, todos os pedidos de troca de títulos estrangeiros passaram a ser feitos apenas pela internet, no IMT.
  • Custo de 30 €.
  • Documentos: carta brasileira válida, identificação portuguesa ou passaporte, autorização de residência, NIF e atestado médico eletrónico enviado pelo médico ao IMT.
  • Para categorias profissionais, acresce o certificado de avaliação psicológica. Para pesados, mantém-se a exigência da certidão do órgão de trânsito brasileiro.

Ou seja, conduzir e conduzir profissionalmente não são o mesmo passo. Quem conta trabalhar como motorista deve somar ao plano o tempo e o custo da avaliação psicológica, que muita gente só descobre no fim.

O que realmente aumenta o que se ganha

Dentro destas profissões, três coisas separam quem fica no mínimo de quem sobe depressa:

Experiência que se prova. Não basta dizer que é pedreiro há quinze anos: fotografias do trabalho, contactos de antigos patrões e, se existir, certificado de formação valem mais do que o currículo.

Liderar equipa. Quem consegue coordenar três ou quatro pessoas passa a chefe de equipa, e é aí que o salto acontece de verdade no setor da construção.

Especialização com certificação. Eletricista e canalizador certificados estão noutro patamar de quem faz obra geral, precisamente porque há trabalhos que só eles podem assinar.

Há ainda um detalhe que muda o líquido e que quase ninguém pergunta na entrevista: em várias regiões, sobretudo no Algarve e no interior, o empregador oferece alojamento ou subsídio de deslocação. Dois empregos com o mesmo salário bruto podem ser muito diferentes no fim do mês por causa disso.

O que este texto não cobre

Salários médios por profissão. Não há tabela oficial atualizada que os publique de forma fiável, e as que circulam são estimativas sem fonte — várias delas, hoje, abaixo do mínimo legal. O que damos é o piso, que é certo.

O seu caso. Região, experiência comprovável e domínio da língua mudam mais o resultado do que a profissão escolhida.

Equivalência de diplomas. Para profissões regulamentadas há um processo próprio, tratado em reconhecimento de diploma brasileiro em Portugal.

Perguntas frequentes

Que profissões estão em falta em Portugal?

As áreas com mais procura de mão de obra imigrante são a construção civil, os cuidados a idosos, a restauração e hotelaria, e a logística e limpeza. A tecnologia paga mais, mas compete com candidatos do mundo inteiro.

Qual é o salário mínimo em Portugal em 2026?

920 € por mês, fixado pelo Decreto-Lei n.º 139/2025, contra 870 € em 2025. Qualquer oferta abaixo disso a tempo inteiro é ilegal. Está acordado que suba para 970 € e depois 1.020 € nos anos seguintes.

Preciso de carteira profissional para trabalhar na construção em Portugal?

Para pedreiro, trolha, carpinteiro e pintor, não. Eletricista e canalizador podem precisar de certificação para determinados trabalhos, por razões de segurança.

Como saber se a minha profissão é regulamentada em Portugal?

Consultando a lista oficial de profissões regulamentadas publicada pela DGERT, que indica também a autoridade competente de cada uma. É a primeira coisa a verificar, porque define se há meses de reconhecimento pela frente.

Cabeleireiro e manicure precisam de licença em Portugal?

Não. A carteira profissional para cabeleireiro, barbeiro, manicuro e esteticista foi eliminada em 2011, e desde 2015 o estabelecimento também não precisa de licenciamento prévio.

Como é o recrutamento oficial de trabalhadores estrangeiros?

É coordenado pelo IEFP, e existem acordos de mobilidade laboral com países como Cabo Verde, Índia, Marrocos e Moçambique. Exige-se normalmente contrato de pelo menos um ano, ou de seis a nove meses em atividades sazonais.

Leia também

Para onde procurar as vagas e o que dá para adiantar antes de chegar, veja como conseguir emprego em Portugal morando fora. E para saber se o salário dá para a cidade que escolheu, quanto custa viver em Portugal, cidade a cidade. Veja também trabalhar com instalação de câmaras, uma das áreas onde falta gente. E vale a pena ver quanto ganha um motorista de Uber em Portugal por hora.

Deixe um comentário

WhatsApp
URL has been copied successfully!
Rolar para cima