
Tens dois anos para pedir a troca, mas apenas 90 dias para conduzir com a carta do teu país. Passados dois anos deixa de haver troca e passa a haver exame prático. Documentos, custo e o certificado que decide o teu calendário.
Há uma frase que circula entre quem chega a Portugal e que já custou multas e processos a muita gente: «tens dois anos para trocar a carta». É verdade a meio — e a metade que falta é a que interessa.
Tens dois anos para pedir a troca. Para conduzir com a carta do teu país, tens 90 dias. São prazos diferentes, e entre um e outro há quase dois anos em que se pode continuar o processo mas não se pode pôr as mãos no volante.
Este guia serve para quem chega com carta do Brasil, de Angola, de Cabo Verde, de Moçambique, de São Tomé e Príncipe, da Venezuela ou de qualquer país abrangido por convenção de trânsito. Está organizado pela ordem em que as coisas acontecem, e começa antes do que a maioria pensa.
Turista e residente não têm o mesmo prazo
Antes dos 90 dias há uma regra anterior, que se aplica a quem ainda não fixou residência. Em situação de turista, pode conduzir-se com o título estrangeiro por um máximo de 185 dias, contados a partir do dia seguinte à entrada no país.
Isto responde a uma dúvida frequente de quem vem primeiro conhecer, alugar carro e decidir depois: nessa fase a carta de casa serve. O relógio dos 90 dias é outro, e só começa quando se fixa residência.
Os três prazos de quem fixa residência
Depois de fixar residência em Portugal, a linha do tempo é esta:
- Até 90 dias — podes continuar a conduzir com o título estrangeiro, e deves dar entrada do pedido de troca no IMT.
- Dos 90 dias aos 2 anos — ainda podes requerer a troca, mas já não podes conduzir com o título estrangeiro.
- Depois de 2 anos — perdes o direito de conduzir com o título estrangeiro e, para o trocar por carta portuguesa, tens de fazer exame prático de condução e ser aprovado.
Vale ler outra vez o terceiro ponto, porque é o que apanha quem adia. Passados dois anos deixa de haver troca administrativa. Há exame. Com marcação, com espera, com possibilidade de chumbar — e com a diferença de que o exame é feito segundo as regras de trânsito portuguesas, que não são as do país de origem.
A conta começa na fixação de residência, não na data em que aterraste. Por isso convém marcar no calendário no próprio dia em que tratas da morada — e não depender da memória.

Os documentos, e o que demora mais
Para o pedido de troca são exigidos:
- Carta de condução original, válida e definitiva. Carta provisória não serve.
- Certificado de autenticidade do título — a prova, emitida pela autoridade que emitiu a carta, de que ela é verdadeira e está válida.
- Documento de identificação; passaporte, se o documento não incluir dados biométricos.
- Comunicação de residência municipal.
- Certidão de domicílio fiscal, obtida no Portal das Finanças.
- Atestado médico.
- Certificado de avaliação psicológica, apenas para as categorias pesadas: C1, C1E, C, CE, D, D1, D1E e DE.
- Tradução da carta, se o conteúdo não estiver em português, francês, inglês ou espanhol.
De toda esta lista, há um que decide o teu calendário: o certificado de autenticidade. Ele não se tira em Portugal. Pede-se à autoridade do país que emitiu a carta, muitas vezes através do consulado, e o tempo de resposta não depende do IMT nem de ti.
É por isso que o conselho prático é sempre o mesmo: trata do certificado de autenticidade antes de tudo o resto, de preferência ainda antes de viajar. Quem deixa para depois de chegar descobre que os 90 dias passam à espera de um papel que vem de outro continente.
Dois documentos da lista costumam apanhar quem chegou há pouco: a comunicação de residência municipal e a certidão de domicílio fiscal. São provas de onde vives, e só existem se a tua morada estiver comunicada — o que por sua vez costuma exigir contrato de arrendamento em teu nome. É uma corrente: morada, finanças, carta.
Onde se faz o pedido
O pedido faz-se pelo portal «A Minha Carta de Condução», do IMT, online. Também pode ser feito presencialmente, ao balcão, após contacto dos serviços.
Há um detalhe que obriga sempre à deslocação em algum momento: o título estrangeiro original tem de ser entregue fisicamente no balcão do IMT. Não se envia digitalizado, não se fica com ele. Quem contava manter a carta antiga como recordação, ou para conduzir em férias no país de origem, tem de contar com isso na decisão.
Quanto custa
A taxa é de 30 euros, com 10% de desconto quando o pedido é feito online. É um valor que vale ter em conta quando alguém se oferece para «tratar de tudo» por umas centenas: o que está a ser cobrado não é a taxa, é o trabalho de preencher um formulário que tu consegues preencher.
Os custos que podem pesar mais são os outros: o atestado médico, a avaliação psicológica quando exigida, a tradução e o que o país de origem cobrar pelo certificado de autenticidade.

De que países se pode trocar
O Decreto-Lei n.º 46/2022 organiza os casos em grupos:
- Estados da CPLP signatários de convenções de trânsito — Brasil e Cabo Verde.
- Estados da CPLP com acordo bilateral — Angola, Cabo Verde, Moçambique e São Tomé e Príncipe.
- Estados da OCDE fora da UE e do EEE que sejam signatários de convenções.
Quem tem carta de um país da União Europeia ou do Espaço Económico Europeu está noutra situação, com regras próprias e mais simples. E existem países não aderentes às convenções, onde a troca não é possível e o caminho passa por tirar carta em Portugal.
Há ainda regimes especiais — o IMT mantém um, por exemplo, para o regime de proteção temporária da Ucrânia. Antes de fazer contas ou planos, vale abrir a página do IMT e confirmar em que grupo cai o teu país, porque a diferença entre grupos não é de detalhe: é entre trocar e não trocar.
A resposta para a sua nacionalidade
Esta é a parte que muda tudo, e é onde a maioria das pessoas se engana: os três prazos acima não se aplicam a toda a gente por igual. Depende de onde foi emitida a carta.
| Carta emitida em | Pode conduzir sendo residente? | A troca exige exame? | O que convém saber |
|---|---|---|---|
| União Europeia e EEE Espanha, França, Alemanha, Itália, Irlanda, Noruega, Islândia, Liechtenstein e restantes |
Sim, até ao fim da validade escrita no documento | Não | A troca é facultativa. Mas tem de registar a morada no IMT nos 60 dias seguintes a fixar residência. Esse registo é gratuito. |
| Brasil | Sim, mesmo sendo residente | Não | CPLP e signatário de convenção de trânsito. Abrangido pelo Decreto-Lei n.º 46/2022. |
| Cabo Verde | Sim, mesmo sendo residente | Não | Tem acordo bilateral com Portugal e, desde 2019, também a Convenção de Viena. |
| Angola | Sim, mesmo sendo residente | Não | CPLP com acordo bilateral em vigor desde 2012. |
| Moçambique | Sim, mesmo sendo residente | Não | CPLP com acordo bilateral em vigor desde 2009. |
| São Tomé e Príncipe | Sim, mesmo sendo residente | Não | CPLP com acordo bilateral em vigor desde 2009. |
| Reino Unido, Suíça, EUA, Canadá e ainda Japão, Coreia do Sul, Austrália, Nova Zelândia, Israel, Chile, Turquia e Islândia |
Sim, mesmo sendo residente | Não | Estados da OCDE fora da UE e do EEE, signatários de convenção. |
| Venezuela, Argentina, Peru e outros signatários de convenção fora da CPLP e da OCDE: Marrocos, África do Sul, Rússia, Índia, Filipinas, Paraguai… |
Só 185 dias, como turista | Só depois de 2 anos | Aqui contam os três prazos acima: 90 dias, depois até 2 anos sem poder conduzir, e passados 2 anos só com exame prático. |
| Ucrânia | Regime próprio | Não | Proteção temporária: 185 dias, e depois do título de residência tem 90 dias para dar entrada mantendo a condução. A troca é gratuita e a carta emitida vale 1 ano, renovável enquanto o regime durar. |
| Guiné-Bissau e Timor-Leste | A confirmar | — | São da CPLP, mas não constam nem da lista das convenções nem da dos acordos bilaterais do IMT. Confirme no IMT antes de contar com a troca. |
| Países não aderentes às convenções | Não | Sim — teórica e prática | A carta não serve para conduzir em Portugal. A troca exige aprovação em prova teórica multimédia e em prova prática, por cada categoria, com 30 € adicionais por prova. |
O detalhe que quase ninguém conhece
Para os países da CPLP e da OCDE da tabela, o Decreto-Lei n.º 46/2022 permite conduzir em Portugal com a carta estrangeira mesmo depois de se obter residência — ou seja, sem trocar nada. Mas isso só vale se se cumprirem seis requisitos ao mesmo tempo, e há dois que apanham muita gente de surpresa:
- Não podem ter passado mais de 15 anos desde a emissão da carta ou desde a última renovação.
- O titular tem de ter menos de 60 anos de idade.
Os outros quatro são os esperados: o Estado emissor tem de ser signatário de convenção ou ter acordo bilateral; a carta tem de estar válida; o condutor tem de ter a idade mínima exigida em Portugal para aquelas categorias; e a carta não pode estar apreendida, suspensa, caducada ou cassada.
Falha um destes e a autorização cai. Quem faz 60 anos, ou cuja carta chega aos 15 anos sem renovação, deixa de poder conduzir com o documento estrangeiro — e passa a ter de trocar.
E há coisas que não se conseguem sem trocar
Mesmo quem pode conduzir sem trocar fica sem três coisas, e o IMT é explícito nisto:
- Não pode acrescentar categorias novas. Para tirar mota ou pesados, tem de trocar primeiro.
- Não pode averbar o Grupo II, que é o necessário para conduzir TVDE ou transporte coletivo de crianças.
- A autorização só vale em Portugal. Não é uma carta portuguesa — é uma permissão para conduzir em território nacional, e não acompanha quem sai do país.
É por isto que muita gente com carta brasileira acaba por trocar mesmo podendo não o fazer: quer trabalhar com TVDE, ou quer tirar uma categoria nova.
Depois da troca: quando é preciso revalidar
A carta portuguesa não é vitalícia, e a revalidação segue a idade do condutor, não um prazo fixo a partir da emissão.
Para as categorias ligeiras — AM, A1, A2, A, B1, B e BE — nas cartas tiradas até 1 de janeiro de 2013, a revalidação faz-se antes de completar 50, 60, 65 e 70 anos. A partir dos 70, passa a ser de dois em dois anos.
Há um ponto que interessa a quem troca já com alguma idade: o atestado médico eletrónico é obrigatório a partir dos 60 anos para quem conduz essas categorias e veículos agrícolas. O médico envia-o diretamente ao IMT por plataforma eletrónica, e o atestado tem validade de 6 meses — ou seja, não serve tirar com muita antecedência.
A revalidação faz-se no portal do IMT online, nos Espaços Cidadão ou aos balcões do IMT. Como as regras variam conforme a data em que a carta foi emitida e a categoria, vale confirmar o teu caso na página de revalidação do IMT em vez de assumir pelo que aconteceu a um conhecido.
As perguntas que as pessoas fazem, pelas palavras delas
É obrigatório trocar a carta de condução em Portugal?
Depende de onde foi emitida, e é por isso que a tabela acima existe. Quem tem carta do Brasil, de Angola, de Cabo Verde, de Moçambique, de São Tomé e Príncipe, da União Europeia ou de um país da OCDE da lista não é obrigado — pode conduzir com o documento que tem. Quem tem carta de um país que só é signatário de convenção, como a Venezuela ou a Argentina, é obrigado, e tem prazo. Quem tem carta de país não aderente não pode sequer conduzir com ela.
Requisitos para trocar a carta de condução em Portugal, e o que precisa de ter na mão
Ter residência em Portugal comprovada, carta estrangeira válida e não apreendida, e aptidão médica confirmada por atestado. Para as categorias C, D ou E acresce o certificado de avaliação psicológica. Para conduzir sem trocar, os requisitos são outros seis, e incluem ter menos de 60 anos e não terem passado mais de 15 anos desde a emissão ou a última renovação.
Documentos necessários para trocar a carta de condução em Portugal
Documento de identificação; comunicação de residência junto da Câmara Municipal, se não tiver Cartão de Cidadão; certidão de domicílio fiscal do Portal das Finanças, se a morada não constar do documento de residência; passaporte, se o documento de residência não tiver fotografia e assinatura; a carta de condução; certificado de avaliação psicológica para as categorias C, D ou E; e certificado de autenticidade do título, emitido pela entidade emissora ou pelo consulado. O atestado médico não se envia — o médico coloca-o na plataforma eletrónica e o IMT recebe-o automaticamente.
Quanto tempo demora para trocar a carta de condução em Portugal?
Não há resposta oficial a qual o prazo para trocar a carta de condução em Portugal do lado do serviço: o IMT não publica um prazo de processamento. O que está definido são os prazos do condutor, não os do serviço. Depois de submeter o pedido online, aguarda-se o contacto do IMT para ir ao balcão entregar o título físico e recolher os dados biométricos. Quem tem pressa deve preocupar-se com a parte que controla: o certificado de autenticidade, que vem do país de origem, é a peça que costuma demorar mais.
Qual é o valor para trocar a carta de condução em Portugal?
São 30 €, com 10% de desconto se o pedido for feito online. Se a carta for de um país não aderente às convenções, somam-se 30 € por cada prova — a teórica e a prática —, nos termos da Portaria n.º 1165/2010.
Como trocar a carta de condução estrangeira em Portugal, passo a passo
Dá para tratar de quase tudo sem sair de casa, porque desde 2022 se pode trocar a carta de condução online. Marca-se a avaliação médica, e o médico envia o atestado pela plataforma eletrónica. Depois entra-se no portal A Minha Carta de Condução, autentica-se, preenche-se o formulário, anexam-se os documentos e submete-se. O IMT contacta para a deslocação ao balcão. É aí que se entrega a carta estrangeira e se recolhem a fotografia e a assinatura. É esta a resposta a quem procura como trocar a carta de condução do Brasil para Portugal ou como fazê-lo a partir de qualquer outro país da tabela: o procedimento é o mesmo para todos, muda só quem tem direito a ele.
Trocar carta de condução brasileira em Portugal
Quem tem carta do Brasil pode conduzir em Portugal sem trocar, mesmo sendo residente, desde que cumpra os seis requisitos. Querendo trocar a carta de condução brasileira pela portuguesa — e há boas razões para o fazer, como acrescentar categorias ou conduzir TVDE —, o caminho é o descrito acima e não há exame: fica dispensado das provas para todas as categorias que troque.
Trocar a carta de condução angolana para portuguesa
É exatamente o mesmo caminho da carta brasileira, e pela mesma razão: Angola tem acordo bilateral com Portugal desde 2012 e está abrangida pelo Decreto-Lei n.º 46/2022. Sem exame, com o mesmo custo de 30 €, e com a mesma lista de documentos.
Trocar carta de condução Cabo Verde para Portugal
O mesmo, e com uma camada a mais de segurança: além do acordo bilateral assinado em 2007, Cabo Verde ratificou a Convenção de Viena, em vigor desde 2019. Está nos dois grupos.
Trocar carta de condução moçambicana para portuguesa
Também aqui não há exame. Moçambique tem acordo bilateral com Portugal em vigor desde 2009, e São Tomé e Príncipe está na mesma situação desde o mesmo ano.
Trocar carta de condução ucraniana em Portugal
Tem regime próprio, e o mais favorável de todos: quem beneficia do estatuto de proteção temporária está dispensado do pagamento das taxas. São 185 dias a contar da entrada e, depois do título de residência, 90 dias para dar entrada do pedido mantendo o direito de conduzir. A carta portuguesa emitida ao abrigo deste regime vale um ano, renovável enquanto o regime durar. Beneficiam também cônjuges, unidos de facto e parentes de cidadãos ucranianos, mesmo sendo de outra nacionalidade.
Trocar carta de condução Venezuela para Portugal
A Venezuela consta da lista de países signatários das convenções, mas não é da CPLP nem da OCDE — por isso não entra no regime do Decreto-Lei n.º 46/2022. Na prática: conduz-se 185 dias como turista e, fixada residência, contam os três prazos. Até 90 dias pode conduzir e deve dar entrada do pedido; dos 90 dias aos 2 anos ainda pode requerer mas já não pode conduzir; passados 2 anos, só com exame prático.
Trocar carta de condução francesa por portuguesa, ou espanhola, ou de outro país da UE
A troca é facultativa e a carta vale até ao fim da validade escrita nela. Mas atenção ao que muita gente não sabe: quem fixa residência em Portugal tem de comunicar a morada ao IMT nos 60 dias seguintes, e não o fazer é uma infração. Esse registo é gratuito e faz-se ao balcão do IMT da área de residência, com documento de identificação, comprovativo de residência e a carta válida.
E como trocar a carta de condução portuguesa pela espanhola?
Esse já não é tratado pelo IMT. Dentro da União Europeia a troca faz-se junto da autoridade do país onde se passa a residir — em Espanha, a Dirección General de Tráfico. A regra de fundo é a mesma nos dois sentidos: a carta comunitária é válida, e o que se pede a quem muda de país é o registo junto da autoridade local.
A ordem que evita perder tempo
Juntando tudo, a sequência que funciona é esta:
- Pedir o certificado de autenticidade ao país de origem — idealmente antes de viajar, porque é o que demora.
- Tratar da morada: comunicação de residência na câmara e certidão de domicílio fiscal nas Finanças.
- Marcar o atestado médico, e a avaliação psicológica se conduzires pesados.
- Dar entrada do pedido no portal do IMT, dentro dos 90 dias.
- Entregar a carta original no balcão quando for pedido.
CNH brasileira em Portugal: a nova lei, afinal qual é
Procura-se muito pela «nova lei» da CNH brasileira em Portugal, e convém dizer já qual é, porque não é de agora.
É o Decreto-Lei n.º 46/2022. Desde 1 de agosto de 2022, Portugal passou a aceitar as cartas de condução emitidas por países da OCDE e da CPLP — e o Brasil está nos dois grupos. Foi essa a mudança que simplificou a vida a quem chega, e é a ela que se continua a chamar «nova lei».
O que isso significa na prática, respondendo pela pergunta tal como é feita: posso usar minha carteira de motorista em Portugal? Sim, mas por tempo limitado, e o prazo depende de ser turista ou residente. Os três prazos estão detalhados mais acima — e são a parte em que mais gente se engana.
Quanto a saber se a CNH brasileira vale em Portugal para trabalhar, a resposta muda: para conduzir profissionalmente não basta a carta. É preciso fazer a troca e, nas categorias profissionais, acrescentar o certificado de avaliação psicológica. Quem conta trabalhar como motorista deve somar esse tempo e esse custo ao plano.
Carteira de motorista em Portugal para brasileiros: trocar ou tirar do zero
São dois caminhos completamente diferentes, e a maioria das pessoas só conhece um deles.
- Trocar — tem carta brasileira válida e troca-a pela portuguesa, sem exames de condução. É o percurso descrito no resto deste artigo.
- Tirar do zero — não tem carta, ou perdeu o prazo da troca. Aí entra-se numa escola de condução e fazem-se os exames, como qualquer residente.
A diferença de custo e de tempo entre os dois é enorme, e é por isso que perder o prazo da troca é o erro mais caro de todo este processo.
Como tirar carteira de motorista em Portugal sendo brasileiro
Para quem segue o segundo caminho, o percurso é o mesmo de um português — não há regra diferente por ser estrangeiro, desde que tenha residência legal.
Qual a idade mínima para tirar carteira de motorista em Portugal
Para a categoria B são 18 anos, ou 17 com condução acompanhada. A categoria B cobre automóveis ligeiros até 3.500 kg e oito passageiros, com reboque até 750 kg.
Os passos, por ordem:
- Inscrição numa escola de condução.
- Atestado médico, exigido para abrir o processo.
- Formação teórica e exame teórico no IMT.
- Formação prática e exame prático.
- Emissão da carta.
Quem procura como tirar CNH em Portugal sendo brasileiro deve reter uma diferença de vocabulário que poupa confusão ao balcão: em Portugal não existe «CNH». O documento chama-se carta de condução, e o sítio onde se aprende é uma escola de condução, não uma autoescola.
CNH em Portugal: valor de tirar do zero
O custo de trocar está na secção própria, mais acima. Aqui fica o de tirar, que é outra ordem de grandeza.
Não há um preço único, e quem publicar um está a inventar: depende da escola, da região e, sobretudo, de passar ou não à primeira. Os levantamentos apontam para algo entre cerca de 600 € e 1.200 € no processo completo da categoria B, com registos fora desse intervalo nos dois sentidos.
O que é fixo, e por isso serve de referência segura:
- Taxa do exame teórico, no IMT: 30 €.
- Taxa do exame prático, no IMT: 30 €.
- Emissão da carta: 30 €.
- Atestado médico: entre 15 € e 40 €.
Ou seja, quando alguém pergunta carteira de motorista em Portugal valor, ou quanto custa carteira de motorista em Portugal, a resposta honesta é: as taxas do Estado são poucas dezenas de euros; o que custa é a formação. Aulas práticas a mais e exames repetidos são o que faz subir a conta.
Perdi minha CNH em Portugal, o que fazer
Situação mais comum do que parece, e com uma resposta que apanha muita gente desprevenida.
O consulado brasileiro não emite segunda via da CNH. Não é competência dele. A segunda via pede-se ao Detran do estado que emitiu a habilitação, e hoje faz-se pela internet ou pela aplicação do próprio Detran, sem ser preciso viajar.
Dois conselhos práticos que valem mais do que o procedimento:
- Guarde uma cópia digitalizada da carta antes de sair do Brasil. Sem o número, o pedido à distância complica-se.
- Se já tinha feito a troca e perdeu a carta portuguesa, o caminho é outro: pede-se a segunda via cá, pelos serviços do Estado.
CNH de Portugal tem validade no Brasil?
Posta também como carteira de motorista Portugal vale no Brasil, é a pergunta de volta, que quase ninguém responde — e interessa a quem trocou a carta e vai visitar a família.
Sim, por até 180 dias, contados a partir da data de entrada em território brasileiro, ao abrigo dos acordos internacionais e do princípio da reciprocidade, respeitada a validade da própria carta.
Durante esse período, o condutor deve levar consigo:
- A carta de condução estrangeira dentro da validade;
- A Permissão Internacional para Dirigir, acompanhada da carta;
- Documento de identificação;
- Comprovativo da data de entrada no país — é este que as pessoas esquecem.
Depois dos 180 dias de estada regular, quem quiser continuar a conduzir tem de fazer os exames de aptidão física e mental e a avaliação psicológica para obter a CNH.
E para quem passa a residir no Brasil: a carta portuguesa troca-se por CNH sem novo exame de condução, desde que o pedido seja feito dentro do prazo legal. É o espelho exato do que se faz cá.
Depois da carta, o carro
Trocada a carta, vem a pergunta seguinte: comprar ou financiar? Comprar não exige residência, mas o crédito exige NIF, morada e rendimento comprovado em Portugal — e o passaporte sozinho não chega. As condições, os documentos e os prazos estão em comprar e financiar carro em Portugal.
Erros que custam caro
- Conduzir depois dos 90 dias a pensar que os dois anos cobrem. Não cobrem: cobrem o pedido, não a condução.
- Deixar o certificado de autenticidade para o fim. É o único documento cujo prazo não controlas.
- Passar dos 2 anos. A partir daí deixa de ser troca e passa a ser exame.
- Levar carta provisória. Só se troca título definitivo.
- Contar com a carta antiga depois da troca. O original fica com o IMT.
Se ainda estás a organizar a papelada toda, o guia dos documentos necessários para trabalhar em Portugal mostra a ordem em que se tratam NIF, NISS e residência — e a certidão de domicílio fiscal que aparece aqui sai do mesmo portal. Para o resto da instalação, a comparação de melhor cidade para morar em Portugal ajuda a decidir onde fixar a morada que vai constar em todos estes documentos.
Perguntas frequentes
Quanto tempo posso conduzir em Portugal com a carta do meu país?
Em situação de turista, até um máximo de 185 dias contados a partir do dia seguinte à entrada no país. Depois de fixar residência, até 90 dias — e nesse período deve dar entrada do pedido de troca no IMT.
O que acontece se passarem dois anos?
Passados dois anos deixa de poder conduzir com o título estrangeiro e, para o trocar por carta portuguesa, tem de realizar um exame prático de condução e ser aprovado. Deixa de existir troca administrativa.
Que documentos são precisos para trocar a carta?
Carta original válida e definitiva, certificado de autenticidade do título, documento de identificação (passaporte se não tiver dados biométricos), comunicação de residência municipal, certidão de domicílio fiscal, atestado médico, certificado de avaliação psicológica para as categorias pesadas e tradução quando a carta não estiver em português, francês, inglês ou espanhol.
O que é o certificado de autenticidade e onde se pede?
É a prova, emitida pela autoridade que emitiu a carta, de que o título é verdadeiro e válido. Não se obtém em Portugal: pede-se ao país de origem, muitas vezes através do consulado, e é o documento cujo prazo não depende de si nem do IMT.
Quanto custa trocar a carta de condução?
A taxa é de 30 euros, com 10% de desconto quando o pedido é feito online. À parte ficam os custos do atestado médico, da avaliação psicológica quando exigida, da tradução e do certificado de autenticidade.
Fico com a carta antiga depois da troca?
Não. O título estrangeiro original tem de ser entregue fisicamente no balcão do IMT durante o processo.
De que países se pode trocar a carta?
O Decreto-Lei n.º 46/2022 abrange Estados da CPLP signatários de convenções (Brasil e Cabo Verde), Estados da CPLP com acordo bilateral (Angola, Cabo Verde, Moçambique e São Tomé e Príncipe) e Estados da OCDE fora da UE e do EEE signatários de convenções. Países da UE e do EEE têm regras próprias, e há países onde a troca não é possível.
De quanto em quanto tempo se revalida a carta em Portugal?
Nas categorias ligeiras, para cartas tiradas até 1 de janeiro de 2013, a revalidação faz-se antes de completar 50, 60, 65 e 70 anos, e a partir dos 70 de dois em dois anos. A partir dos 60 anos o atestado médico eletrónico passa a ser obrigatório e tem validade de 6 meses.
Quem tem carta brasileira é obrigado a trocar em Portugal?
Não. Desde o Decreto-Lei n.º 46/2022, quem tem carta do Brasil pode conduzir em Portugal mesmo sendo residente, sem trocar. Mas tem de cumprir seis requisitos, incluindo ter menos de 60 anos e não terem passado mais de 15 anos desde a emissão ou a última renovação. E sem trocar não pode acrescentar categorias nem averbar o Grupo II para TVDE.
Quem tem carta de Espanha ou de França precisa de fazer alguma coisa?
A troca é facultativa e a carta vale até ao fim da validade escrita no documento. Mas quem fixa residência em Portugal tem de comunicar a morada ao IMT no prazo de 60 dias. Esse registo é gratuito e não fazê-lo é uma infração.
Quanto custa trocar a carta de condução em Portugal?
30 €, com 10% de desconto se o pedido for feito online, no portal A Minha Carta de Condução. Se a carta for de um país não aderente às convenções, acrescem 30 € por cada prova — teórica e prática —, nos termos da Portaria n.º 1165/2010.
A troca da carta ucraniana é paga?
Não. Quem beneficia do regime de proteção temporária está dispensado do pagamento das taxas de troca e de certificação. A carta portuguesa emitida ao abrigo desse regime tem validade de um ano, renovável enquanto o regime se mantiver.
Fontes oficiais
- IMT — cartas de condução emitidas pelos países da OCDE e da CPLP, ao abrigo do Decreto-Lei n.º 46/2022 — consultado a 24/09/2026
- IMT — países da União Europeia e do Espaço Económico Europeu, e o registo de residência — consultado a 24/09/2026
- IMT — regime de proteção temporária da Ucrânia — consultado a 24/09/2026
- IMT — países não aderentes às convenções e as provas exigidas — consultado a 24/09/2026
- IMT — Troca de título de condução estrangeiro
- IMT — Países aderentes às convenções e outras situações
- IMT — Países da União Europeia e do Espaço Económico Europeu
- gov.pt — Trocar carta de condução estrangeira por portuguesa
Informação verificada em 9 de setembro de 2026. As regras de imigração mudam com frequência — confirme sempre na fonte oficial antes de agir.
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