O D7 é o visto de quem tem rendimento que entra sozinho todos os meses — reforma, arrendamento, dividendos, royalties — e quer viver em Portugal sem depender de um emprego português. Não é um visto de investidor nem exige comprar nada.
A confusão mais comum é achar que é «o visto dos reformados». Não é: qualquer rendimento passivo e regular serve, e há gente na casa dos trinta a entrar por aqui.
Valores verificados a 17 de setembro de 2026.
| Requerente | Percentual do SMN | Valor Estimado Anual (12 meses) |
| Requerente Principal | 100% | € 9.870 |
| Cônjuge/Parceiro | +50% | € 4.935 |
| Filhos/Dependentes | +30% por dependente | € 2.961 (por dependente) |
Visto de aposentado para morar em Portugal: é o mesmo que o D7
Antes dos números, uma questão de nome que faz muita gente procurar e não encontrar. Quem procura tudo sobre o visto D7 Portugal, ou visto D7 Portugal como funciona, começa quase sempre por aqui — pela palavra errada.
«Visto de aposentado» não é um nome oficial. O que existe em Portugal chama-se visto D7, e é por essa letra que aparece em toda a documentação legal. Quem procura como tirar visto de aposentado para Portugal e quem procura como tirar visto D7 Portugal está a procurar exatamente a mesma coisa.
Visto D7 Portugal o que é, afinal? É o visto para quem quer residir com base em rendimentos próprios que não dependem de trabalhar — o que a lei chama rendimentos passivos. Entram aí:
- Pensões e reformas — o caso mais comum, e a razão do apelido.
- Rendas de imóveis.
- Lucros e dividendos de empresas.
- Outros rendimentos recorrentes e comprováveis.
Ou seja: o visto d7 Portugal para brasileiros não é só para reformados. É para quem tem rendimento que entra todos os meses sem depender de um emprego — e é aí que muita gente descobre que afinal se enquadra.
Visto D7 Portugal renda mínima: os números de 2026
Visto D7 requisitos Portugal exige dois, e só dois: rendimento recorrente acima do limiar, e uma reserva que cubra doze meses. Tudo o resto é documentação para provar esses dois.
O montante exigido não é um número inventado pelo consulado: está indexado ao salário mínimo nacional português. E o salário mínimo subiu para 920 € por mês a 1 de janeiro de 2026, fixado pelo Decreto-Lei n.º 139/2025, contra 870 € em 2025.
A fórmula habitualmente aplicada soma, por cima desse valor:
- Requerente principal — 920 € por mês (100% do salário mínimo)
- Cônjuge ou dependente adulto — mais 460 € (50%)
- Cada filho dependente — mais 276 € (30%)
Na prática, para um ano inteiro: uma pessoa sozinha precisa de demonstrar por volta de 11.040 €; um casal, cerca de 16.560 €; um casal com um filho, perto de 19.872 €.
Por que pedir com o mínimo exato é má ideia
O valor é um piso legal, não um alvo. Quem apresenta exatamente 920 € está a dizer ao consulado que vai viver em Portugal com o equivalente ao salário mínimo — e a renda mediana de um T1 em Lisboa anda por volta dos 950 €, ou seja, mais do que isso.
O consulado não é obrigado a fazer essa conta, mas faz. Um pedido no limite exato é um pedido com margem zero, e a margem zero é o que mais se vê em indeferimentos. Quem tem 1.400 ou 1.500 € mensais de rendimento passivo apresenta um caso muito mais sólido do que quem tem 925 €.
O valor vai continuar a subir
Isto é planeamento, não especulação: o acordo tripartido que está por trás do aumento atual prevê o salário mínimo a subir 50 € em cada um dos dois anos seguintes — para 970 € e depois 1.020 €. Como o limiar do D7 acompanha o salário mínimo, quem estiver a planear para daqui a dois anos deve contar com o valor mais alto, não com o de hoje.
Não basta o valor: tem de parecer estável
Este é o ponto que separa um pedido aprovado de um indeferido, e quase nenhum texto explica.
O que se avalia não é só quanto entra, é se continua a entrar. Um rendimento de arrendamento com contrato assinado e recibos de doze meses vale mais do que um valor maior que apareceu em três transferências avulsas. Uma reforma, pela sua natureza, é o rendimento mais fácil de provar que existe.
Um montante grande parado na conta ajuda mas não substitui o rendimento recorrente: o D7 é um visto de rendimento, não de património. Quem só tem poupança e nenhuma fonte mensal costuma ser encaminhado para outro tipo de visto.


Os documentos que vão pedir
A lista exata varia com o consulado, e é sempre no site do consulado da sua área que se confirma. O núcleo é estável:
- Passaporte válido, com pelo menos três meses para lá da data prevista de regresso;
- Comprovativo do rendimento passivo — extratos, contratos de arrendamento, comprovativo de reforma, declaração de imposto de renda;
- Comprovativo de alojamento em Portugal — contrato de arrendamento ou escritura;
- Seguro de viagem ou de saúde válido para o período inicial;
- Certificado de registo criminal do país de origem, apostilado;
- NIF português e, na prática, conta bancária portuguesa — sobre esta, o que o banco pode e não pode exigir está em abrir conta bancária em Portugal sendo imigrante;
- Formulário de pedido preenchido e taxa paga.

O processo tem duas fases, e muita gente só conhece a primeira
Fase 1 — o visto, ainda no Brasil
Pede-se no consulado português da área de residência. O que sai daí não é a autorização de residência: é um visto de entrada, válido por um período limitado, com o qual se viaja para Portugal. Já vem com uma data marcada para a fase 2.
Fase 2 — a autorização de residência, já em Portugal
Depois de chegar, cumpre-se o atendimento na AIMA, onde se entregam os originais e se recolhe a biometria. É daí que sai o título de residência, que é o documento que realmente permite viver no país.
Entre uma coisa e outra há um intervalo em que já se está em Portugal sem ter ainda o título na mão. É normal, e é a fase em que convém ter tudo o resto resolvido — morada, conta, NIF.
O que este texto não cobre
A lista do seu consulado. Cada consulado tem particularidades e é lá que se confirma o que apresentar.
Prazos. Variam muito com o consulado e com a época do ano; qualquer número aqui escrito estaria errado daqui a um mês.
Impostos. Passar a residir em Portugal muda a sua situação fiscal nos dois países. Ver a saída definitiva do Brasil para o lado brasileiro.
O valor exato que o seu consulado aceita. A fórmula acima é a habitualmente aplicada, mas a decisão final é do posto que analisa o pedido.
Verificado a 19 de setembro de 2026
Os valores e os prazos acima foram confirmados no portal oficial de vistos nesta data, já depois da entrada em vigor da Lei n.º 62/2026, a 11 de setembro. Esta página regista a data em que a informação foi confirmada na fonte oficial, porque estas regras mudam e um texto sem data não deixa ninguém perceber se ainda serve.
Visto de aposentado em Portugal pode trabalhar?
Esta é a pergunta mais feita depois da renda, e a resposta tem duas partes que têm de andar juntas — dar só a primeira é enganar quem lê.
Sim, pode. A lei que regula o visto não proíbe trabalhar. Depois de obter a autorização de residência, o titular pode trabalhar em Portugal, por conta de outrem ou por conta própria, legalmente. A dúvida sobre se o visto D7 Portugal pode trabalhar costuma vir do nome «rendimentos passivos», que dá a ideia errada de uma proibição.
Mas há uma condição que só aparece mais tarde. O visto foi concedido porque provou rendimento passivo suficiente para viver cá — e na renovação, essa continua a ter de ser a sua fonte principal de rendimento. O trabalho pode somar; não pode substituir.
Na prática, isto significa que quem entra pelo D7 a pensar abandonar a pensão ou vender o imóvel que gerava a renda está a desmontar a base do próprio título. O trabalho é um extra, não o plano.
Visto D7 Portugal: quanto tempo demora
Há dois relógios aqui, e confundi-los é a origem de quase todas as frustrações.
O primeiro é o do visto. O prazo apontado é de cerca de 60 dias úteis a contar da submissão presencial, e a recomendação corrente é planear com 90 dias de folga, porque o tempo real depende do volume de pedidos e da complexidade de cada caso.
O segundo é o da residência. O visto não é o fim: é a autorização para entrar e depois pedir a autorização de residência já em Portugal, junto da AIMA. Somando as duas fases, o percurso completo costuma apontar-se entre 6 e 10 meses.
É por isso que quem conta com o visto para uma data marcada se engana: o visto chega, a residência é que demora. Quem já está nessa segunda fase encontra os prazos e o canal em como renovar o título de residência em Portugal online.
Visto D7 Portugal VFS Global: o que mudou em abril de 2026
Uma mudança de 2026 que apanha quem leu guias antigos: desde 17 de abril de 2026, os pedidos passaram a ser obrigatoriamente presenciais nos centros da VFS Global, que é a empresa que recebe os processos de visto português no Brasil.
O que isso muda na prática:
- Tem de haver deslocação. Não se resolve tudo em linha.
- A marcação é o passo crítico, e deve ser feita com bastante antecedência — a recomendação é 90 dias antes da data pretendida de viagem.
- A VFS recebe e encaminha; quem decide é o consulado. É uma distinção que importa quando se procura saber o estado do processo: a empresa não decide nada.
E um aviso que vale sempre: qualquer página que prometa marcação antecipada paga, fora do sistema oficial, está a vender o que não tem.
Visto D7 Portugal imposto de renda: o que muda ao mudar de país
Mudar de país muda a sua situação fiscal, e esta é a parte que mais gente deixa para depois — e depois é tarde.
A regra de partida é simples de enunciar: quem passa a residir em Portugal mais de 183 dias por ano torna-se, em regra, residente fiscal cá. E residente fiscal em Portugal declara aqui, não só o que ganha cá.
Isso não significa pagar duas vezes. Portugal e o Brasil têm uma convenção para evitar a dupla tributação, que define qual dos dois Estados tributa cada tipo de rendimento — e as pensões têm regras próprias dentro dessa convenção.
O que fazer com isto, sem complicar: trate da parte fiscal antes de mudar, não depois, e com quem perceba dos dois lados. Para o primeiro ano cá, as regras de entrega estão em cheguei este ano a Portugal: tenho de entregar IRS?.
Perguntas frequentes
Qual é a renda mínima exigida para o visto D7 em 2026?
O limiar está indexado ao salário mínimo português, que é de 920 € por mês em 2026, fixado pelo Decreto-Lei n.º 139/2025. Para um ano, isso dá cerca de 11.040 € para o requerente principal.
Quanto a mais preciso por cônjuge e por filho?
A fórmula habitualmente aplicada acrescenta 50% do salário mínimo pelo cônjuge ou dependente adulto — 460 € em 2026 — e 30% por cada filho dependente, ou seja 276 €.
O visto D7 é só para reformados?
Não. Serve qualquer rendimento passivo e regular: reforma, arrendamento, dividendos, royalties. A reforma é apenas o caso mais fácil de comprovar, por ser recorrente por natureza.
Um valor guardado na conta chega para o D7?
Ajuda, mas normalmente não substitui. O D7 é um visto de rendimento recorrente, não de património. Quem só tem poupança e nenhuma fonte mensal costuma ser encaminhado para outro tipo de visto.
O valor exigido vai subir?
Muito provavelmente. O acordo por trás do aumento atual prevê o salário mínimo a subir para 970 € e depois 1.020 € nos anos seguintes, e o limiar do D7 acompanha o salário mínimo.
O visto D7 já é a autorização de residência?
Não. O visto obtido no consulado serve para entrar em Portugal e vem com agendamento para a AIMA. É do atendimento na AIMA, já em Portugal, que sai o título de residência.
Fontes oficiais
- Diário da República — Decreto-Lei n.º 139/2025 (salário mínimo de 920 € em 2026)
- AIMA — autorizações de residência e atendimento
- Portal de Vistos (MNE) — meios de subsistência exigidos
Valores verificados a 17 de setembro de 2026. O limiar acompanha o salário mínimo e muda todos os anos em janeiro — confirme antes de submeter.
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