Sofri um golpe pelo celular: o que fazer agora

Mulher sentada no sofá à noite a olhar para o telemóvel com expressão de choque e uma mão na testa

Há uma coisa que quase ninguém diz a quem acabou de cair num golpe, e que decide o resto: em Portugal, sem queixa não há processo. A burla e a burla informática são crimes que dependem de queixa da vítima, e o direito de apresentá-la caduca ao fim de seis meses. Se ninguém reclamar, o caso não existe para a justiça. O resto deste texto é sobre o que fazer antes disso, pela ordem em que importa.

Golpe pelo celular, o que fazer nas primeiras duas horas

A ordem não é arbitrária. Primeiro corta-se o acesso, depois guarda-se a prova, e só no fim se trata da papelada. Quem começa pela papelada perde as duas primeiras horas, que são as que ainda dão para travar dinheiro.

  1. Ligue ao banco e bloqueie cartão, conta e aplicação. Peça o registo da ocorrência e anote o número. Se houve transferência, diga logo que foi fraude, porque o tratamento interno é diferente;
  2. Bloqueie a linha na operadora. Enquanto o número estiver ativo noutro aparelho, os códigos de confirmação continuam a chegar a quem não devia;
  3. Troque as palavras-passe a partir de outro aparelho, nunca do telemóvel suspeito. Comece pelo email, que é a chave de todas as outras, e ative a verificação em duas etapas;
  4. Feche as sessões abertas nas contas de email, redes e mensagens. Todas elas têm uma lista de aparelhos ligados e um botão para terminar as outras sessões;
  5. Guarde as provas antes de apagar o que quer que seja: capturas de ecrã, números, horas, comprovativos, moradas de sites;
  6. Avise os seus contactos, por outro canal, que podem receber pedidos de dinheiro em seu nome;
  7. Apresente a queixa. É o passo que mais gente salta, e o único que torna o crime existente.

Uma nota sobre o passo 1: dinheiro parado recupera-se muito melhor do que dinheiro já movido. Por isso o telefonema ao banco vem antes de tudo, mesmo antes de perceber direito o que aconteceu.

Homem junto à janela com o telemóvel encostado ao ouvido e um cartão bancário na outra mão, com expressão séria

Bloquear o aparelho no Brasil: o Celular Seguro

O Celular Seguro é um programa do Ministério da Justiça e Segurança Pública, com a Anatel, a Febraban, bancos e operadoras. Funciona em celularseguro.mj.gov.br e em aplicação para Android e iPhone, e entra-se com a conta gov.br de nível Bronze, que é o mais simples que existe.

Não é preciso ter-se registado antes do crime. Dá para emitir o alerta na hora, e depois registar a ocorrência.

Modo Recuperação ou Bloqueio Total

Ao emitir o alerta você escolhe entre dois:

  • Modo Recuperação: bloqueia a linha telefónica e as contas nas instituições parceiras, e deixa o aparelho a funcionar. É o modo para quem ainda tem esperança de reaver o telemóvel;
  • Bloqueio Total: bloqueia o aparelho pelo IMEI, mais a linha e as contas. O aparelho deixa de servir a quem o tem.

Feito o alerta, o sistema gera um número de protocolo. Guarde-o, porque pode ser pedido mais à frente.

O que o Celular Seguro não faz

É aqui que a maioria dos textos sobre o assunto fica a dever, e são limites que mudam a sua decisão:

  • Não substitui o boletim de ocorrência. O próprio Ministério da Justiça o diz. O alerta corta o acesso; o boletim abre o registo do crime;
  • Não dá para desfazer pela aplicação. O desbloqueio da linha e do IMEI é presencial, numa loja oficial da operadora, que não pode ser revendedora. As contas resolvem-se banco a banco;
  • Os bancos só bloqueiam se os dados baterem certo. O bloqueio das contas depende de o nome e o CPF na operadora e no Celular Seguro serem os mesmos, sem divergência;
  • Só as operadoras listadas bloqueiam a linha e o IMEI. Se a sua não aparecer na aplicação, o alerta só bloqueia os bancos parceiros e a linha tem de ser tratada diretamente com a operadora;
  • É só para pessoas físicas. Linha de empresa não entra.

Quem mora fora do Brasil

O limite mais importante para quem lê este site: o Celular Seguro só gera alertas para números de telefone do Brasil. Se você vive em Portugal e o aparelho tem número português, o programa não bloqueia essa linha. Continua a servir para o número brasileiro que você mantenha ativo, que é precisamente o número onde costumam chegar os códigos dos bancos brasileiros.

A Pessoa de Confiança

Dá para registar previamente uma Pessoa de Confiança, que passa a poder emitir o bloqueio da linha por si se você ficar sem o telemóvel. Essa pessoa tem de estar registada na aplicação e ter login gov.br. É dos poucos preparativos que se fazem em dois minutos e poupam horas no dia mau.

Bloquear a linha e o aparelho em Portugal

Em Portugal não existe nenhum equivalente ao Celular Seguro, e vale a pena saber disso antes de procurar. O caminho é mais manual e passa por três telefonemas:

  • A operadora, para suspender o cartão SIM e pedir o bloqueio do aparelho pelo IMEI. Tenha o IMEI à mão, que é um número de 15 dígitos e costuma estar na caixa do aparelho e na fatura de compra;
  • O banco, para bloquear cartões, conta e aplicação, e para registar a contestação dos movimentos;
  • A polícia, para a queixa, que é o que vem a seguir.
Homem sentado a uma secretária a escrever num computador portátil, com o telemóvel e um caderno de notas ao lado

Denunciar golpe pelo celular em Portugal

Aqui está a parte que mais gente faz mal, por não saber uma distinção legal que decide tudo.

A Queixa Eletrónica e os crimes que aceita

Portugal tem um sistema oficial de queixa online, o Queixa Eletrónica, do Ministério da Administração Interna, que encaminha para a GNR ou a PSP. A lista de crimes que aceita não é livre: está fixada pela Portaria n.º 1593/2007, de 17 de dezembro, e inclui, entre outros, a burla, a burla relativa a trabalho ou emprego, o furto, o roubo, a extorsão e o uso de documento de identificação alheio.

O sistema está expressamente aberto a pessoas estrangeiras residentes em Portugal ou presentes em território nacional. E não serve para emergências: se o crime está a acontecer, o número é o 112.

Burla ou burla informática: a diferença que decide para onde você vai

São dois crimes diferentes no Código Penal português, e quase todos os golpes pelo telemóvel caem num ou no outro:

  • Burla, artigo 217.º: alguém o enganou astuciosamente e foi você que, por causa do engano, fez a transferência ou entregou os dados. Pena até 3 anos ou multa;
  • Burla informática e nas comunicações, artigo 221.º: usaram os seus dados sem autorização ou interferiram no processamento, e o dinheiro saiu sem você fazer nada. Pena até 3 anos ou multa, até 5 anos se o prejuízo for de valor elevado, e de 2 a 8 anos se for consideravelmente elevado.

E agora a consequência prática, que é o motivo de esta secção existir: a burla informática não está na lista da Queixa Eletrónica. Só a burla simples está. Quem lhe esvaziou a conta a partir dos seus dados não dá para denunciar pelo formulário online: tem de ir a uma esquadra da PSP, a um posto da GNR ou à Polícia Judiciária. Se tiver dúvida sobre em qual dos dois o seu caso cai, vá presencialmente, que é o caminho que serve para os dois.

Os seis meses que ninguém avisa

Tanto o artigo 217.º como o 221.º dizem a mesma frase no fim: o procedimento criminal depende de queixa. Não são crimes públicos. O Ministério Público não abre o processo sozinho.

E há prazo. O artigo 115.º do Código Penal diz que o direito de queixa se extingue no prazo de seis meses a contar da data em que a vítima teve conhecimento do facto e dos seus autores. Passado esse prazo, acabou. É a razão pela qual denunciar golpe pelo celular não é uma formalidade para fazer quando der jeito.

Quem não tem Cartão de Cidadão

O sistema aceita quatro formas de autenticação: Cartão de Cidadão, Chave Móvel Digital, via CTT e identificação presencial. Quem tem título de residência e não tem Cartão de Cidadão, que é o caso da maioria dos brasileiros recém-chegados, usa a Chave Móvel Digital ou uma das outras vias. Não ter cartão português não o deixa de fora.

Denunciar no Brasil: o boletim de ocorrência

No Brasil o registo faz-se na delegacia virtual do seu estado ou presencialmente numa unidade policial. Não existe uma delegacia virtual nacional única: cada estado tem a sua, com o seu endereço e as suas regras sobre que ocorrências aceita online. O Celular Seguro remete para lá, e repete que o alerta não substitui o boletim.

Quem mora em Portugal e foi vítima de um golpe que aconteceu em contas brasileiras tem, na prática, duas frentes: o registo no Brasil, onde está o dinheiro e o banco, e a queixa em Portugal, se houve crime praticado contra si enquanto residente. Não são alternativas, e o facto de ter feito uma não o impede de fazer a outra.

Golpe pelo celular é estelionato?

No Brasil, sim: é o estelionato, e desde 2021 existe ainda a figura da fraude eletrónica, com pena agravada quando o crime é cometido com uso de dispositivo eletrónico. Em Portugal a palavra estelionato não se usa: os nomes são burla e burla informática, com os artigos que ficaram acima. É a mesma ideia com vocabulário diferente, e vale saber os dois, porque é com o vocabulário local que você vai falar na esquadra.

O golpe que se disfarça de oportunidade de trabalho

Boa parte do que circula como renda extra não é golpe de telefone, é esquema: a pessoa paga uma entrada e o ganho prometido depende de trazer gente nova. Isso tem nome na lei brasileira, bola de neve, e é crime contra a economia popular, pela Lei n.º 1.521 de 1951. O teste para reconhecer, e o que é mesmo possível fazer só com o telemóvel, está em como trabalhar de casa pelo celular e ganhar dinheiro.

Tipos de golpe pelo celular

Mudam de nome todos os meses, mas a mecânica é sempre uma de cinco. E quase todos começam da mesma forma, que é o golpe pelo numero de celular: alguém tem o seu número e usa-o como porta de entrada, por chamada, mensagem ou aplicação.

  • O código que chega por SMS. Alguém pede-lhe o código de seis dígitos que acabou de receber. Esse código é a chave da sua conta: quem o pede está a entrar nela;
  • A falsa central do banco. Ligam, dizem que houve um movimento suspeito e pedem que confirme dados ou transfira para uma conta segura. Nenhum banco faz isto;
  • O link. Mensagem com uma entrega parada, uma multa, um reembolso dos impostos, e um endereço parecido com o verdadeiro;
  • O falso emprego. Proposta boa de mais, que acaba num pedido de dinheiro para taxa, exame ou material. Está tratado à parte em como funciona o golpe do falso emprego;
  • O site clonado de um serviço público. Acontece com a AIMA e com a Receita, e o sinal está sempre no endereço. Veja como identificar o site falso da AIMA.

Para os golpes que chegam por aplicação de mensagens, com os cinco formatos mais usados e os sinais de cada um, há um texto só sobre isso: golpe no WhatsApp, como reconhecer.

Mãos a segurar um telemóvel sobre uma mesa de madeira com uma chamada a entrar de número desconhecido no ecrã

Se o que foi tomado foi o WhatsApp

A conta de mensagens tem um caminho próprio, e é mais rápido do que o resto: volta a registar-se o número com o código de seis dígitos, e esse registo expulsa de imediato quem lá estava. Não é preciso boletim de ocorrência para isso, nem adianta mudar a palavra-passe, que não remove ninguém. O guia completo, incluindo o caso em que o invasor ativou a verificação em duas etapas e o caso da conta banida, está em clonaram meu WhatsApp, o que fazer para recuperar.

Como saber se meu celular foi hackeado

A pergunta aparece de todas as maneiras, e quase sempre colada a uma marca ou a um canal: como saber se meu celular foi hackeado ou clonado, como saber se meu celular foi hackeado iphone, como saber se meu celular foi hackeado samsung, como saber se meu celular foi hackeado motorola, como saber se meu celular foi hackeado android, como saber se meu celular foi hackeado pelo whatsapp, como saber se meu celular foi hackeado por link, como saber se meu celular foi hackeado pelo wifi, como saber se o meu celular foi hackeado pelo número.

A resposta é a mesma em todos os casos, porque os sinais que valem alguma coisa não dependem do fabricante nem da porta de entrada. Seja hackeado ou grampeado, seja vírus ou acesso indevido, o que se vê no aparelho é o mesmo. E como saber se meu celular está hackeado ou não resume-se a seis coisas observáveis.

Sinais que significam mesmo qualquer coisa:

  • A bateria cai muito mais depressa sem você ter mudado o uso;
  • O aparelho aquece parado, sem nada aberto;
  • O consumo de dados subiu sem explicação. Nas definições há o gasto por aplicação: é aí que se vê qual;
  • Aplicações que você não instalou, sobretudo com nomes genéricos de sistema;
  • Sessões abertas noutros aparelhos, na lista de dispositivos ligados das suas contas;
  • Mensagens enviadas que você não escreveu, ou códigos de confirmação a chegar sem você ter pedido nada.

E um sinal que não significa nada: o telemóvel estar lento. Aparelhos antigos ficam lentos sozinhos. Começar por aí leva ao pânico sem motivo.

Como saber se estão me espionando pela câmera do celular

O indicador fiável não é uma sensação, é um ponto de luz. O iPhone e o Android recentes acendem um indicador no topo do ecrã sempre que a câmara ou o microfone estão a ser usados, por qualquer aplicação. Se esse ponto acende quando você não abriu nada, vá às definições de privacidade e veja a lista de aplicações com permissão de câmara e de microfone. Retire a permissão a tudo o que não reconhecer. É mais eficaz do que qualquer aplicação que prometa detetar espiões.

Quando quem mexeu no aparelho é alguém de casa

Uma parte grande de quem faz esta pergunta não está a pensar em criminosos anónimos, mas em alguém de casa. Vê-se nas próprias buscas: como saber se meu celular foi hackeado pelo marido, como saber se meu celular foi hackeado pelo namorado, como saber se estão me espionando no celular, como saber se estão me espionando no whatsapp. Se é o seu caso, duas coisas antes de mais nada.

A primeira: não apague nada à pressa. Se houver programa de vigilância instalado, apagá-lo avisa quem o pôs lá, e isso pode ser pior para si do que deixá-lo. A segunda: peça ajuda antes de agir. Em Portugal a Linha Internet Segura, 800 21 90 90, é gratuita, confidencial e atende nos dias úteis das 08h00 às 23h00. É coordenada pela APAV, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, e serve exatamente para orientar nestes casos antes de a pessoa fazer algo de que se arrependa. Em perigo imediato, o número é o 112.

O que fazer se encontrar alguma coisa

Depois de guardar as provas, o caminho é: tirar as permissões, desinstalar o que não reconhece, atualizar o sistema, trocar as palavras-passe a partir de outro aparelho e ativar a verificação em duas etapas em tudo. Se a dúvida persistir, a reposição de fábrica resolve, mas apaga também as provas, por isso é o último passo e não o primeiro.

Como recuperar o dinheiro

Depende de por onde o dinheiro saiu, e não há uma resposta única:

  • Cartão: contesta-se o movimento junto do banco, por escrito, o mais depressa possível. Guarde o número de reclamação;
  • Transferência bancária comum: o banco pode tentar a devolução, mas depende de o dinheiro ainda estar na conta de destino. Daí a pressa;
  • Pix: tem um mecanismo próprio, o MED do Banco Central, com prazos e casos em que não se aplica. Está explicado passo a passo em golpe do Pix: como pedir o dinheiro de volta.

Em qualquer dos casos, a queixa apresentada ajuda o pedido de devolução. Não é só burocracia: é o documento que sustenta a sua versão perante o banco.

Antes de haver golpe: cortar as chamadas e as mensagens

A maior parte destes golpes começa numa chamada ou numa mensagem que nem devia ter chegado. Dá para cortar grande parte disso nas definições: no iPhone, com a triagem de chamadas de desconhecidos; no Android, com o identificador de chamadas e spam; e no WhatsApp, com o silenciar de números desconhecidos, que vem desligado por predefinição. Há ainda as listas oficiais de cada país, o Não Me Perturbe no Brasil e a Lista de Oposição em Portugal. Está tudo, passo a passo, em como bloquear chamadas de números desconhecidos.

Onde pedir ajuda em Portugal

Para além da polícia, existe apoio a vítimas que a maior parte das pessoas não sabe que existe:

  • Linha Internet Segura, 800 21 90 90, dias úteis das 08h00 às 23h00, gratuita e confidencial. Também atende por email, em linhainternetsegura@apav.pt. É coordenada pela APAV;
  • 112, para emergências e para crimes em curso;
  • O seu banco, que tem linha própria de fraude, normalmente a funcionar 24 horas e com um número diferente do atendimento geral. Vale a pena ter esse número guardado antes de precisar dele.

Perguntas frequentes

Sofri um golpe pelo celular, o que fazer primeiro?

Pela ordem: cortar o acesso (ligar ao banco e bloquear cartão e conta), bloquear a linha na operadora, trocar as palavras-passe a partir de outro aparelho, guardar as provas e só depois apresentar a queixa. Dinheiro parado recupera-se melhor do que dinheiro já movido.

Golpe pelo celular é estelionato?

No Brasil, sim: é o estelionato do artigo 171.º do Código Penal brasileiro. Em Portugal o nome é outro. Se você foi convencido a fazer a transferência, é burla (artigo 217.º). Se usaram os seus dados ou a sua conta sem você mexer em nada, é burla informática e nas comunicações (artigo 221.º). A distinção decide onde você pode apresentar a queixa.

Dá para denunciar golpe pelo celular online em Portugal?

Depende do crime. O sistema Queixa Eletrónica do Ministério da Administração Interna aceita a burla, mas a lista de crimes é fechada pela Portaria n.º 1593/2007 e a burla informática não está lá. Para esses casos tem de ir a uma esquadra da PSP, a um posto da GNR ou à Polícia Judiciária.

Preciso de Cartão de Cidadão para fazer queixa online em Portugal?

Não obrigatoriamente. O sistema aceita Cartão de Cidadão, Chave Móvel Digital, autenticação via CTT e identificação presencial. Quem tem título de residência e não tem Cartão de Cidadão pode usar a Chave Móvel Digital ou uma das outras vias. O sistema está aberto a estrangeiros residentes ou presentes em território nacional.

Quanto tempo tenho para apresentar queixa em Portugal?

Seis meses a contar da data em que soube do facto e de quem o praticou, pelo artigo 115.º do Código Penal. Tanto a burla como a burla informática dependem de queixa: se a vítima não a apresentar, o Ministério Público não abre o processo.

Como bloquear o celular roubado no Brasil?

Pelo Celular Seguro, do Ministério da Justiça, em celularseguro.mj.gov.br ou pelo aplicativo, com login gov.br de nível Bronze. Dá para escolher o Modo Recuperação, que bloqueia só a linha e as contas das instituições parceiras, ou o Bloqueio Total, que bloqueia também o aparelho pelo IMEI.

O Celular Seguro funciona para quem mora fora do Brasil?

Só para números de telefone do Brasil. Se você vive em Portugal e o aparelho tem um número português, o Celular Seguro não gera alerta para essa linha. Continua a servir para a linha brasileira que você mantenha, e o bloqueio da linha portuguesa faz-se na operadora.

O alerta do Celular Seguro substitui o boletim de ocorrência?

Não. O próprio Ministério da Justiça diz que não substitui. O alerta corta o acesso, o boletim de ocorrência abre o registo do crime. São duas coisas diferentes e as duas são precisas.

Dá para desfazer o bloqueio pelo aplicativo?

Não. O Celular Seguro não desfaz o que foi bloqueado. A linha e o IMEI desbloqueiam-se presencialmente numa loja oficial da operadora, que não pode ser revendedora, e as contas resolvem-se diretamente com cada banco.

Como saber se meu celular foi hackeado?

Os sinais que valem alguma coisa são concretos: bateria a cair muito mais depressa sem mudança de uso, aparelho quente parado, consumo de dados fora do normal, aplicações que você não instalou, e sessões abertas noutros aparelhos nas definições das suas contas. Um telemóvel lento, por si só, não quer dizer nada.

Como saber se estão me espionando pela câmera do celular?

O indicador fiável não é uma sensação, é o ponto de luz que o sistema mostra quando a câmara ou o microfone estão a ser usados, no iPhone e no Android recentes. Se esse indicador acende sem você ter aberto nada, veja em seguida que aplicações têm permissão de câmara e microfone e retire as que não reconhece.

Acho que alguém de casa mexeu no meu telemóvel. O que faço?

Antes de apagar seja o que for, pense na sua segurança. Em Portugal a Linha Internet Segura, 800 21 90 90, atende de graça e em confidência nos dias úteis das 08h00 às 23h00, e é coordenada pela APAV. Em perigo imediato, o número é o 112.

Foi só uma tentativa de golpe pelo celular. Vale a pena denunciar?

Vale. A tentativa é punível tanto na burla como na burla informática, e o registo ajuda a identificar quem está a fazer o mesmo a muita gente. Além disso, uma tentativa que você reconheceu hoje costuma ser repetida amanhã com outra história.

Como saber se meu celular foi hackeado, o que fazer depois?

Guardar as provas, tirar as permissões de câmara e microfone às aplicações que não reconhece, desinstalar o que apareceu sozinho, atualizar o sistema e trocar as palavras-passe a partir de outro aparelho. A reposição de fábrica resolve, mas apaga as provas: é o último passo, não o primeiro.

O que faço com as provas?

Guarde tudo antes de apagar: capturas de ecrã das mensagens, o número de quem ligou, os comprovativos das transferências, as moradas dos sites, a hora de cada coisa. Sem isso, a queixa fica com a sua palavra e mais nada.

Caí num golpe do Pix. Faço o mesmo?

Os primeiros passos são os mesmos, mas o Pix tem um caminho próprio de devolução, o MED do Banco Central, com prazos próprios. Está explicado em detalhe no texto sobre o golpe do Pix, ligado no fim desta página.

Fontes oficiais

Artigos do Código Penal consultados na versão consolidada do Diário da República e a lista de crimes no portal da Queixa Eletrónica, a 10 de outubro de 2026. Regras de bloqueio, operadoras e bancos parceiros do Celular Seguro mudam: confirme na própria aplicação antes de contar com elas.

Leia também

Se o dinheiro saiu por Pix, o caminho da devolução está em golpe do Pix, o que fazer. E para reconhecer os golpes antes de cair neles, veja os cinco golpes mais usados no WhatsApp.

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